A fotografia pode ser mais do que um registro. Para o antropólogo e fotógrafo Edgar Kanaykô Xakriabá, do povo indígena Xakriabá, a câmera também pode ser instrumento de luta, resistência e defesa do território. É a partir dessa perspectiva que ele participa, nesta sexta-feira (11), às 14h, da palestra virtual “Etnovisão e Ancestralidade nas Artes Digitais”, dentro da programação da segunda edição do i-Bit Mapping Festival.
A atividade será transmitida gratuitamente pelo YouTube do festival e propõe uma reflexão sobre o papel da fotografia e do audiovisual na construção das narrativas dos povos indígenas.
Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Edgar Kanaykô Xakriabá desenvolveu em sua dissertação, “Etnovisão: o olhar indígena que atravessa a lente”, de 2019, uma discussão sobre a utilização da fotografia pelos povos indígenas como ferramenta de luta e resistência. O trabalho também questiona quem produz as imagens, a partir de qual perspectiva e quais histórias são contadas por meio delas.
Na prática, a proposta é inverter uma lógica histórica em que os povos indígenas foram frequentemente retratados por olhares externos. Na etnofotografia defendida por Kanaykô, os próprios indígenas assumem a câmera e passam a construir suas narrativas a partir de suas experiências, memórias, culturas e relações com o território.
A ideia é sintetizada pelo fotógrafo na frase “a câmera como arco, e a imagem como flecha”.
Militante do movimento Demarcação Já, Kanaykô também utiliza a produção audiovisual como forma de abordar questões ambientais e territoriais. A palestra deve discutir como as imagens podem contribuir para fortalecer culturas e memórias e, ao mesmo tempo, dar visibilidade às reivindicações dos povos indígenas diante dos desafios contemporâneos.
A atividade faz parte da programação que antecede a segunda edição do i-Bit Mapping Festival, que será realizada nos dias 24, 25 e 26 de setembro, em Ibitipoca. Organizado pela produtora mineira Reação.TV, o festival busca aproximar arte digital, tecnologia, turismo cultural e conservação ambiental.
Durante os três dias de evento, projeções de grandes dimensões serão realizadas em pontos como o Parque Estadual de Ibitipoca, a Gruta dos Gnomos e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no arraial.
A programação ocorre em sintonia com a Semana Florestal e foi selecionada pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB/2024), da Secretaria de Cultura do Governo de Minas Gerais.
Segundo a organização, o i-Bit Mapping tem como pilares Natureza, Arte Digital, Educação, Turismo Cultural e Sustentabilidade, reunindo artistas visuais, videomappers, VJs, músicos, pesquisadores, comunidades locais e visitantes em experiências que utilizam a paisagem natural e arquitetônica como parte da obra.
SERVIÇO
Palestra: “Etnovisão e Ancestralidade nas Artes Digitais”
Quando: sexta-feira (11), às 14h
Onde: transmissão online pelo YouTube do i-Bit Mapping Festival
Participante: Edgar Kanaykô Xakriabá
Entrada: gratuita