Juiz de Fora recebeu, neste sábado, o Oba Hameed Ajijola, monarca tradicional do Reino de Araromi Elenangbe, na Nigéria. A visita promoveu encontros entre a tradição iorubá e diferentes manifestações da cultura afro-brasileira, aproximando o representante da realeza nigeriana de iniciativas desenvolvidas na cidade.
A agenda incluiu uma roda de capoeira no Grupo Abolição no bairro Bela Aurora e uma visita ao bairro Linhares, onde o monarca esteve no Projeto Arte e Saúde. A programação também contou com a participação de representantes da capoeira e de integrantes do movimento cultural afro-brasileiro.
Para o Mestre Beto, capoeirista, a presença do monarca representou uma oportunidade de apresentar parte do trabalho desenvolvido pela comunidade e preservar a memória relacionada à capoeira e à história da população negra.
Segundo ele, Oba Hameed Ajijola conheceu acervos relacionados à capoeira e às manifestações culturais afro-brasileiras e demonstrou entusiasmo com o trabalho apresentado.
“Ele ficou muito maravilhado com tudo lá, até dançou com a gente”, contou o mestre.
Intercâmbio entre Brasil e África
A visita também abriu espaço para novas possibilidades de intercâmbio cultural. De acordo com o Mestre Eurico, do Projeto Capoeira Abolição, já existem trabalhos desenvolvidos em países africanos, como Angola, e a intenção é ampliar essa aproximação por meio de intercâmbios entre instituições.
A proposta envolve a troca de experiências entre projetos brasileiros e iniciativas desenvolvidas no continente africano, permitindo que os trabalhos realizados nos dois lados do Atlântico sejam conhecidos e divulgados.
“A gente faz em Zari, Huambo e Luanda […] fazer um intercâmbio cultural”, explicou Mestre Eurico.
Música como linguagem universal
Em fala exclusiva durante a visita, Oba Hameed Ajijola destacou a importância da música como instrumento de aproximação entre as pessoas. Para o monarca, a música é capaz de transmitir e espalhar amor de forma universal, independentemente do idioma.
A mensagem esteve presente também no encerramento da programação. O monarca participou de uma roda de samba e interagiu com os participantes, em um momento de descontração e integração com a cultura local.
Para os representantes da capoeira que acompanharam a visita, a postura do monarca também chamou atenção pela simplicidade e pela disposição em conhecer as manifestações culturais apresentadas.
Ao final da passagem por Juiz de Fora, Oba Hameed Ajijola afirmou que pretende retornar ao Brasil ainda este ano.
A visita reforça a possibilidade de novos encontros e intercâmbios entre Juiz de Fora e iniciativas ligadas à cultura africana, aproximando experiências brasileiras e africanas por meio da música, da capoeira, da memória e de outras expressões culturais.