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Cultura & Sociedade, Diversidade

Rei da Nigéria visita Juiz de Fora em agenda de intercâmbio cultural e valorização da ancestralidade afro-brasileira

Por Marina Cabral
Publicado em 13/09/2026
às 13:36
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Juiz de Fora recebeu, neste sábado, o Oba Hameed Ajijola, monarca tradicional do Reino de Araromi Elenangbe, na Nigéria. A visita promoveu encontros entre a tradição iorubá e diferentes manifestações da cultura afro-brasileira, aproximando o representante da realeza nigeriana de iniciativas desenvolvidas na cidade.

A agenda incluiu uma roda de capoeira no Grupo Abolição no bairro Bela Aurora e uma visita ao bairro Linhares, onde o monarca esteve no Projeto Arte e Saúde. A programação também contou com a participação de representantes da capoeira e de integrantes do movimento cultural afro-brasileiro.

Para o Mestre Beto, capoeirista, a presença do monarca representou uma oportunidade de apresentar parte do trabalho desenvolvido pela comunidade e preservar a memória relacionada à capoeira e à história da população negra.

Segundo ele, Oba Hameed Ajijola conheceu acervos relacionados à capoeira e às manifestações culturais afro-brasileiras e demonstrou entusiasmo com o trabalho apresentado.

“Ele ficou muito maravilhado com tudo lá, até dançou com a gente”, contou o mestre.

Intercâmbio entre Brasil e África

A visita também abriu espaço para novas possibilidades de intercâmbio cultural. De acordo com o Mestre Eurico, do Projeto Capoeira Abolição, já existem trabalhos desenvolvidos em países africanos, como Angola, e a intenção é ampliar essa aproximação por meio de intercâmbios entre instituições.

A proposta envolve a troca de experiências entre projetos brasileiros e iniciativas desenvolvidas no continente africano, permitindo que os trabalhos realizados nos dois lados do Atlântico sejam conhecidos e divulgados.

“A gente faz em Zari, Huambo e Luanda […] fazer um intercâmbio cultural”, explicou Mestre Eurico.

Música como linguagem universal

Em fala exclusiva durante a visita, Oba Hameed Ajijola destacou a importância da música como instrumento de aproximação entre as pessoas. Para o monarca, a música é capaz de transmitir e espalhar amor de forma universal, independentemente do idioma.

A mensagem esteve presente também no encerramento da programação. O monarca participou de uma roda de samba e interagiu com os participantes, em um momento de descontração e integração com a cultura local.

Para os representantes da capoeira que acompanharam a visita, a postura do monarca também chamou atenção pela simplicidade e pela disposição em conhecer as manifestações culturais apresentadas.

Ao final da passagem por Juiz de Fora, Oba Hameed Ajijola afirmou que pretende retornar ao Brasil ainda este ano.

A visita reforça a possibilidade de novos encontros e intercâmbios entre Juiz de Fora e iniciativas ligadas à cultura africana, aproximando experiências brasileiras e africanas por meio da música, da capoeira, da memória e de outras expressões culturais.

Sobre Marina Cabral

Repórter do JF Diário, Marina Cabral também é a criadora do projeto "Comunicabral", tendo já criado podcast e séries de reportagens sobre temas sociais.

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