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Política, Saúde

Saúde mental e eleições: como controlar a ansiedade e o fanatismo?

Por Nathan Marcelino
Publicado em 24/10/2026
às 23:12
Foto gerada com o auxílio de Inteligência Artificial

O período mexe com o sentimento das pessoas. O lado político, as discordâncias ideológicas e as irritações cotidianas podem afetar o mental e interferir na ansiedade e no pânico das pessoas. O JF Diário conversou com a psicóloga Carla Guimarães (Conselho Regional de Psicologia CRP: 04/71214.), que falou sobre as tensões emocionais do período eleitoral, a relação do emocional do eleitor com o candidato adversário, entre outros assuntos. 

Quando o candidato rival vira seu inimigo

Em um cenário de polarização, o adversário, muitas vezes, se torna um vilão a ser combatido, fazendo parte do eleitor perder o sono. Carla comenta que a ojeriza pelo candidato rival pode acarretar em dificuldades para dormir e problemas dentro do ciclo social: 

A polarização das eleições é como um cenário de guerra na percepção de muita gente. A tensão política pode afetar profundamente a saúde mental dos eleitores dependendo mais do medo da ameaça aos próprios valores, família, patrimônio, etc.

 Além disso, o medo de perder pode ser maior que o medo de ganhar, trazendo uma intensificação da ansiedade, angústia, tensão muscular, dificuldade para dormir e pensamentos obsessivos e muitas vezes extremistas. Quando prolongado, o indivíduo pode vir à apresentar dificuldade de concentração e experimentar conflitos sociais. Além do dito, o medo do eleitor pode fazer o mesmo perder a capacidade de avaliar a realidade com equilíbrio. 

Ansiedade e obsessão são as piores inimigas

O medo do futuro, a obsessão política e o estresse pela campanha influenciam o dia a dia do eleitor durante o período eleitoral. Para a psicologia, esse sentimento tem nome: ansiedade coletiva. Carla afirma que a vontade de ser ouvido por pessoas de espectros distintos demanda um esforço psicológico que interfere na ansiedade:

O eleitor pode perceber o período eleitoral de maneira tensa ou ate mesmo tortuosa, por conta daquilo que pode ser vivenciado durante as eleições, sentimentos de ansiedade, angústia, dificuldade de concentração, obsessão, pensamentos repetitivos, conflitos sociais, afastamento de ciclos sociais, pressão vinda do núcleo familiar, social e ambiente de trabalho (apesar de ser ilegal), são exemplos de situações que o eleitor pode enfrentar, além de uma sensação de luta, de precisar se fazer ser ouvido, algo que também demanda tempo e esforço psicológico. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 9,3% dos brasileiros sofrem de ansiedade patológica. Em momentos de pressão e decisões sobre o futuro do país, essa condição deve ser observada.

Os gatilhos e a influência visual

Banners, jingles, estímulos, jargões, etc. Todo esse trabalho de condicionar o subconsciente do eleitor faz parte do jogo político. Para quem vota, esse tipo de apelo político pode se tornar cansativo, repetitivo e representar gatilhos de ansiedade e, às vezes, repulsa. Carla explica que a repetição de campanha pode influenciar sim no voto do eleitor, mas que é preciso manter a independência na hora de escolher o candidato: 

Quando uma pessoa vê um banner político, seu cérebro começa a processar os elementos como cores, formas, gestos, expressões faciais, tamanho das letras e símbolos A influência pode vir da repetição daquele estímulo: a repetição pode facilitar o reconhecimento daquele candidato e o que remete à ele ou ela. As associações emocionais as cores, fotografias e símbolos, podem despertar sentimentos relacionados a experiências anteriores, trazendo uma simpatia maior por aquele candidato. A percepção de força pode surgir ao ver imagens de grandes multidões, o que transmite a ideia que aquele candidato tem muito apoio. Mas existe uma distinção importante: ser influenciado por um estímulo não significa ser controlado por ele. Um banner pode despertar simpatia por um candidato, sem necessariamente mudar o voto de alguém.

O que fazer para aliviar a pressão da política?

Em tempos de estresse e ânimos a flor da pele, ter uma válvula de escape é importante para não ficar preso dentro das incertezas do ambiente político. Carla ressalta que praticar atividades paralelas que exercitam a mente ajudam ao eleitor a se manter são para escolher o futuro do país.

A escolha do voto é uma pressão de 4 anos. São pessoas que, normalmente, não fazem parte do convívio do eleitor e estão em uma espécie de vitrine social para serem escolhidas. Esse é o princípio do estado democrático de direito. 

Caso precise de ajuda, procure ajuda de um profissional do ramo da psicologia e converse com pessoas próximas. Cuidar da saúde mental é uma tarefa a ser feita em todos os períodos do ano.

Para mais informações entre em contato com a psicóloga: (32) 98419-1999 (Whatsapp)

Sobre Nathan Marcelino

Repórter do JF Diário. Apaixonado por esporte, cultura e fã de política. Poeta e cronista por inspiração de Nelson Rodrigues.

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