Decisão da Justiça foi tomada em Timóteo, no Vale do Aço; crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2023, e prisão preventiva da ré foi mantida
Uma mulher acusada de matar cinco dos próprios filhos e tentar assassinar um sexto será julgada pelo Tribunal do Júri em Minas Gerais. A decisão envolve Gissele Rosângela de Oliveira e foi proferida em 22 de outubro pela Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Timóteo, no Vale do Aço. A informação foi divulgada nesta terça-feira (27).
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2023, nas cidades de Timóteo e Jaguaraçu. A acusação sustenta que a mulher teria administrado substâncias tóxicas, venenos e medicamentos de uso controlado aos filhos. Em alguns episódios, também teria recorrido à asfixia.
Todas as crianças envolvidas nos casos eram menores de idade. A Justiça considerou que há indícios suficientes para que as acusações sejam analisadas pelos jurados. A decisão, chamada de pronúncia, não significa que a ré tenha sido condenada.
Investigação aponta uso de medicamentos e substâncias tóxicas
Segundo informações divulgadas pela imprensa mineira, as investigações identificaram cinco mortes ocorridas em diferentes períodos: duas em 2010, duas em 2019 e uma em 2023. A apuração também identificou uma suposta tentativa de homicídio contra outro filho da acusada, quando ele ainda era bebê.
Os investigadores analisaram prontuários médicos, depoimentos e exames periciais. Conforme a decisão judicial, os resultados toxicológicos contribuíram para a identificação de indícios de que substâncias encontradas no organismo das crianças teriam sido administradas enquanto elas estavam sob os cuidados da mãe.
O Ministério Público sustenta que a acusada considerava os filhos um “fardo”. Essa afirmação faz parte da acusação e ainda deverá ser examinada no processo judicial.
Acusada também responderá por supostas ameaças
Além dos homicídios e da tentativa de homicídio, Gissele responderá por coação no curso do processo.
De acordo com a denúncia, entre abril e setembro de 2025, ela teria ameaçado e constrangido testemunhas e informantes para interferir nas investigações policiais.
A mulher foi presa em Portugal, em agosto de 2025, após deixar o Brasil durante o andamento das apurações. Ela foi extraditada e retornou ao país em outubro daquele ano, ficando à disposição da Justiça brasileira.
Defesa contestou as acusações
Durante o processo, a defesa alegou que não existem provas e indícios suficientes para submeter a acusada ao Tribunal do Júri. Os advogados também contestaram as qualificadoras atribuídas aos crimes e questionaram o indeferimento de um pedido para avaliação da saúde mental da ré.
A juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes entendeu, porém, que os elementos reunidos na investigação justificam o julgamento popular. Segundo a decisão, a ausência de testemunhas que tenham presenciado diretamente os fatos não impede, por si só, que o caso seja levado a júri quando existem outros indícios.
Pelas cinco mortes, a acusada responderá por homicídios qualificados. Entre as qualificadoras apontadas estão motivo torpe, emprego de veneno ou de meio insidioso ou cruel, asfixia e utilização de recurso que teria dificultado a defesa das vítimas.
Prisão preventiva foi mantida
A Justiça também decidiu manter a prisão preventiva de Gissele e negou o pedido para que ela pudesse recorrer em liberdade.
A data do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda não foi divulgada. Caberá aos jurados analisar as provas e decidir se a acusada é culpada ou inocente das acusações.