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Pequeno Museu dos Extraordinários Erros leva arte e reflexão a espaços públicos de Juiz de Fora

Foto: Instagram do Pequeno Museu dos Extraordinários Erros (@opequenomuseu)
Por Isabela Schuchter
Publicado em 10/09/2026
às 10:47

Projeto itinerante realiza segunda circulação pela cidade em setembro, com exposição, mediação cultural e oficinas gratuitas

O Pequeno Museu dos Extraordinários Erros realiza, ao longo de setembro, sua segunda circulação por espaços públicos de Juiz de Fora. A programação começa no dia 12 de setembro, das 13h às 16h, no Parque Municipal de Juiz de Fora.

No dia 13, das 9h às 12h, as atividades serão realizadas na Praça Cívica da UFJF, que também recebe o projeto no dia 14, das 15h às 18h.

No dia 19, das 9h às 12h, a circulação chega à Praça José de Castro Barbosa, na Vila Ideal. Já no dia 20, das 9h às 12h, será a vez da Praça Vovó Elvira Gabriela do Carmo, no Linhares. Encerrando a programação, o Parque Halfeld recebe o projeto no dia 22 de setembro, das 11h às 14h.

Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público, com exposição, mediação cultural e oficinas artísticas.

Um museu sobre o erro

E se errar não fosse sinônimo de fracasso, mas uma possibilidade de criar, experimentar e descobrir novos caminhos?

É a partir dessa provocação que o Pequeno Museu dos Extraordinários Erros ocupa praças e parques da cidade, propondo ao público uma nova maneira de enxergar o erro.

Idealizado pelo Tropeço Coletivo, formado pelas arte-educadoras Ana Beatriz Penna, Bárbara Filha, Gabriela Alves e Júlia Fregadolli, o projeto surgiu a partir das experiências das integrantes em museus, escolas e ações educativas.

A proposta é investigar o erro como parte dos processos humanos e também como possibilidade de criação artística.

Ao todo, a exposição reúne 11 obras de artistas locais, produzidas em diferentes linguagens, técnicas e suportes.

As obras apresentam diferentes maneiras de compreender o erro, seja como potência criativa, memória, afeto, humor, resistência ou invenção.

Por que falar sobre o erro?

De acordo com Júlia Fregadolli, integrante do coletivo, a ideia nasceu de um incômodo compartilhado pelas artistas durante suas vivências profissionais e pessoais.

“O projeto nasce através de um incômodo em comum, que percebemos nas nossas vivências enquanto professoras e enquanto artistas: por que o erro dói e envergonha tanto? Por que a necessidade de escondê-lo? De onde vem essa cobrança?”, explica.

A partir dessas perguntas, o grupo passou a pensar em um espaço no qual o erro pudesse ser tratado de outra maneira. A intenção é que ele deixe de ocupar apenas o lugar de fracasso ou vergonha e passe a ser compreendido como parte dos processos de aprendizagem e criação.

Oficinas para experimentar

Além da exposição, o projeto conta com oficinas que seguem a mesma proposta de experimentar sem medo de errar.

Foto: Instagram do Pequeno Museu dos Extraordinários Erros (@opequenomuseu)

Entre as atividades está a criação de bandeiras e estandartes. Os participantes são convidados a transformar experiências pessoais relacionadas ao erro em produções artísticas.

“Entre tecidos, retalhos, aviamentos e outros materiais, colocamos na bandeira os nossos sentimentos e a vontade de experimentar o fazer artístico sem medo de errar”, conta Júlia.

Por que ocupar praças e parques?

A escolha de levar o museu para praças e parques também faz parte da proposta do coletivo.

Em vez de permanecer restrita a um espaço cultural tradicional, a exposição é montada em uma estrutura itinerante, que pode circular por diferentes regiões da cidade.

Segundo Júlia, a iniciativa busca justamente repensar a relação entre museu, arte e público.

“O nosso projeto tem como base um museu itinerante, uma estrutura que pode ir a vários lugares e repensar a ideia de museu e de obra de arte como parte de um lugar estático”, afirma.

Para a arte-educadora, ocupar os espaços públicos permite uma aproximação maior com as pessoas e com o cotidiano da cidade. “Na rua, nas praças, em contato direto com o público, podemos criar outra visão de museu, aproximando-o das pessoas e da vida cotidiana”, explica.

A circulação também amplia o acesso à arte contemporânea, especialmente para pessoas que não costumam frequentar museus e outros espaços culturais.

O público também participa

Durante as atividades, o público é convidado não apenas a observar as obras, mas também a participar e compartilhar suas próprias percepções sobre o erro.

Para Júlia, essas trocas acabam contribuindo para o próprio processo de criação do coletivo. “Durante a oficina de bandeiras, o público nos traz muitos ensinamentos e oportunidades poéticas”, relata.

Entre as frases que surgiram durante as atividades, uma delas acabou sintetizando a mensagem que o coletivo pretende transmitir com o projeto: “Erre em público, seja visto tentando”.

A ideia representa a tentativa de retirar o erro do lugar de vergonha e colocá-lo como parte natural dos processos de criação, aprendizagem e desenvolvimento.

Sobre Isabela Schuchter

Isabela Schuchter, repórter do JF Diário, é apaixonada por política, moda e pelas histórias que movimentam o mundo. Acredita no jornalismo como uma forma de informar, conectar pessoas e dar novos olhares aos acontecimentos.

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