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Eleições 2026, Política

Mudança na Câmara de JF leva dois nomes do PL ao Legislativo; pautas conservadoras devem ganhar espaço em 2027

Por Redação
Publicado em 07/10/2026
às 21:19
Primeira e segundo suplentes do PL vão ocupar as cadeiras deixadas por Roberta Lopes e Sargento Mello Casal, eleitos deputada estadual e deputado federal. (Foto: CMVJF.)

A saída de dois vereadores eleitos pelo PL para assumir mandatos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Câmara dos Deputados deve provocar uma mudança na composição da Câmara Municipal de Juiz de Fora em 2027. As cadeiras de Roberta Lopes e Sargento Mello-Casal deverão ser ocupadas por Natália Paletta Salazar e Carlos Meira Alves Junior, também do Partido Liberal, ampliando a presença de representantes ligados ao campo conservador no Legislativo municipal.

A mudança pode trazer para a Câmara novas discussões relacionadas a valores, costumes e fiscalização do poder público. No entanto, as informações públicas disponíveis sobre os futuros vereadores mostram prioridades distintas: enquanto Natália tem concentrado sua atuação política em críticas à administração municipal, fiscalização e temas ligados a valores, Carlos apresenta como principais bandeiras o esporte e políticas para pessoas neurodivergentes. Portanto, eventual caracterização de um “retrocesso” depende das pautas e projetos que efetivamente serão apresentados e votados durante o mandato.

Natália Paletta ocupará primeira suplência

Natália Paletta Salazar, de 43 anos, é advogada e moradora do Granbery. Ela disputou uma eleição pela primeira vez em 2024 e terminou como primeira suplente do PL, com 2.499 votos.

A futura vereadora afirma que pretende utilizar a formação jurídica na análise de projetos e na fiscalização das ações da Prefeitura. Segundo declaração publicada por ela nas redes sociais, sua atuação de fiscalização do Executivo e da própria Câmara já ocorre há cerca de seis anos por meio de instrumentos previstos na legislação.

A atuação pública de Natália também revela posições sobre temas que integram o debate conservador. Em artigo publicado em janeiro de 2026, por exemplo, ela questionou a realização de cirurgias de afirmação de gênero pelo SUS e contrapôs esse tipo de procedimento à necessidade de atendimento de outras demandas de saúde pública.

Em outra publicação, Natália defendeu uma visão crítica às políticas adotadas para a população em situação de rua em Juiz de Fora, associando o crescimento desse contingente ao que classificou como “fracasso” da administração municipal.

Esses posicionamentos indicam que a nova vereadora deverá levar para o Legislativo municipal não apenas uma atuação voltada à fiscalização administrativa, mas também debates relacionados a questões de costumes e políticas sociais.

Carlos Meira chega com esporte e neurodivergência entre as prioridades

A segunda cadeira deverá ficar com Carlos Meira Alves Junior, segundo suplente do PL em 2024. Ele recebeu 442 votos naquele pleito e é morador do bairro Santo Antônio, na Zona Leste de Juiz de Fora.

Carlos é casado, pai de dois filhos e possui ensino médio completo. Entre as áreas que pretende priorizar estão o incentivo ao esporte e políticas públicas para pessoas neurodivergentes. A escolha dessa última pauta está relacionada à sua experiência familiar como pai atípico.

Nas redes sociais, o futuro vereador também associa sua trajetória às comunidades e ao esporte e defende uma política mais próxima da população.

Embora integre o mesmo partido de Natália e dos dois vereadores que deixarão a Câmara, as pautas divulgadas por Carlos até o momento são diferentes das discussões mais diretamente ligadas a costumes presentes na atuação pública de outros integrantes do PL.

Dois vereadores deixam a Câmara após eleição

As mudanças serão consequência da eleição de Roberta Lopes e Sargento Mello-Casal em 4 de outubro.

Roberta foi eleita deputada estadual com 63.840 votos. Já Mello-Casal conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 25.090 votos.

Roberta exercia seu primeiro mandato como vereadora e havia recebido 7.924 votos nas eleições municipais de 2024. Mello-Casal, policial militar da reserva e formado em Direito, estava em seu terceiro mandato consecutivo e recebeu 7.590 votos para vereador em 2024.

A substituição mantém as duas cadeiras dentro do PL. Com isso, a mudança não representa apenas a saída de dois vereadores, mas a continuidade da representação do partido por meio de seus suplentes, que passarão a integrar a Casa a partir de 2027.

O que muda no perfil político da Câmara

A chegada de dois integrantes do PL ocorre em um momento de fortalecimento eleitoral do partido em Juiz de Fora e modifica a correlação interna da Câmara.

No caso de Natália, manifestações públicas anteriores permitem identificar posições mais claramente associadas ao campo conservador, especialmente em debates sobre gênero, políticas sociais e atuação do poder público. Já Carlos tem uma agenda divulgada até agora mais concentrada em esporte e neurodivergência.

Por isso, a possibilidade de uma mudança na agenda política da Câmara é concreta, mas seus efeitos dependerão dos projetos que os dois apresentarão, das alianças construídas e das votações que ocorrerão a partir de 2027.

A confirmação formal dos novos vereadores ainda depende da comunicação oficial da Justiça Eleitoral ao Legislativo municipal.

Seis vereadores disputaram as eleições de 2026

Além de Roberta Lopes e Sargento Mello-Casal, outros quatro vereadores de Juiz de Fora participaram das eleições deste ano.

Disputaram uma vaga de deputado estadual Dr. Antônio Aguiar (União), João do Joaninho (PSB), Laiz Perrut (PT) e Tiago Bonecão (Democrata). Roberta foi a única desse grupo a conquistar uma cadeira na Assembleia. Mello-Casal foi o único vereador juiz-forano eleito para a Câmara dos Deputados.

Com a posse dos dois suplentes, a Câmara Municipal começará 2027 com uma composição diferente da eleita pelos juiz-foranos em 2024 — e com duas cadeiras que permanecerão sob o comando do PL, mas passarão a ser ocupadas por parlamentares com trajetórias e pautas próprias.

Análise: chegada de suplentes do PL pode ampliar espaço para pautas conservadoras na Câmara de Juiz de Fora

A chegada de Natália Paletta Salazar e Carlos Meira Alves Junior à Câmara Municipal de Juiz de Fora, prevista para 2027, não representa apenas uma troca de nomes nas cadeiras deixadas por Roberta Lopes e Sargento Mello-Casal. Os dois suplentes do PL têm perfis políticos associados ao campo conservador, e a futura composição poderá ampliar, dentro do Legislativo municipal, o espaço para debates sobre costumes, gênero, políticas sociais e oposição ao campo político de esquerda.

A avaliação sobre possíveis impactos, porém, precisa considerar uma diferença importante entre os dois. Há manifestações públicas documentadas de Natália sobre temas relacionados a gênero, mulheres, políticas sociais e críticas à esquerda. Já Carlos Meira, nas informações públicas localizadas, apresenta como principais bandeiras o esporte e políticas voltadas às pessoas neurodivergentes.

Natália assumirá a vaga por ser a primeira suplente do PL, após receber 2.499 votos em 2024. Carlos, segundo suplente, obteve 442 votos. A substituição ocorrerá depois que Roberta Lopes e Sargento Mello-Casal assumirem os cargos para os quais foram eleitos nas eleições de 2026.

Natália tem atuação pública marcada pelo confronto com a esquerda

Entre os dois futuros vereadores, é Natália quem apresenta um histórico público mais claramente identificável em debates ideológicos.

Em textos publicados no Jornal Concreto, ela faz críticas diretas à esquerda e à administração municipal do PT. Em um artigo sobre a participação feminina na política, por exemplo, afirma que um vereador homem pode representar de forma mais efetiva pautas relacionadas a mães, famílias e mulheres do que vereadoras do PT, que, segundo sua avaliação, defenderiam agendas distantes da realidade de parte das mulheres.

Em outro texto, sobre questões ambientais em Juiz de Fora, Natália critica o que chama de “ativismo” da esquerda e questiona políticas ambientais da administração municipal. Seu conteúdo publicado também inclui críticas ao IPTU progressivo e à atuação do governo municipal.

O posicionamento que mais diretamente envolve uma minoria social aparece em artigo publicado em janeiro de 2026 sobre cirurgias de afirmação de gênero. Natália questiona a prioridade dada pelo SUS a esses procedimentos diante de outras demandas da saúde pública e utiliza o tema para defender uma mudança nas prioridades do sistema.

O debate é especialmente relevante em Juiz de Fora porque a cidade possui políticas e espaços institucionais voltados à população LGBTQIA+. Em 2025, por exemplo, a Câmara recebeu uma roda de conversa organizada com participação da Comissão de Diversidade de Gênero e Sexualidade da OAB/JF, que discutiu discriminação, violência, saúde, educação e cidadania da população LGBTQIA+.

Possível impacto sobre políticas de diversidade

É justamente nesse ponto que a mudança pode produzir efeitos políticos.

Uma pesquisa acadêmica desenvolvida na UFJF sobre a chamada “nova direita juiz-forana” identificou, ao analisar debates ocorridos na Câmara Municipal, a existência de movimentos neoconservadores que pressionaram pela retirada ou restrição de discussões relacionadas a gênero e sexualidade na educação municipal. O estudo analisou diferentes projetos apresentados no Legislativo entre 2015 e 2021.

Isso não significa que Natália ou Carlos necessariamente repetirão aquelas iniciativas. Não há base para afirmar que os dois pretendam apresentar projetos para retirar direitos de minorias. Mas o histórico mostra que disputas sobre gênero, sexualidade e educação já fazem parte da política municipal e podem voltar ao centro do debate com uma Câmara que terá mais uma representante identificada com posições conservadoras.

No caso de Natália, a defesa de prioridades diferentes para o SUS em relação aos procedimentos de afirmação de gênero demonstra que temas relacionados à população trans podem estar entre os assuntos sobre os quais ela deverá se posicionar no Legislativo.

Carlos Meira: perfil diferente, mas dentro do mesmo campo político

A situação de Carlos Meira é diferente.

O futuro vereador, que recebeu 442 votos em 2024, afirma ter como prioridades o esporte e políticas públicas para pessoas neurodivergentes. A Câmara Municipal também destaca sua experiência como pai atípico como uma das razões para sua escolha por essa área de atuação.

Não foram encontradas, nas fontes consultadas, manifestações públicas suficientemente documentadas que permitam afirmar que Carlos tenha histórico de atuação contra direitos de minorias ou de oposição específica a pautas da esquerda.

Seu vínculo político com o PL, entretanto, coloca sua chegada no contexto de uma bancada que tem apresentado posições conservadoras em temas nacionais. Isso, por si só, não permite concluir que Carlos adotará todas essas posições no Legislativo municipal.

O risco apontado por setores progressistas

Para setores progressistas, o principal ponto de atenção não seria simplesmente a entrada de dois vereadores do PL, mas a possibilidade de que a Câmara passe a dedicar mais espaço a disputas culturais em detrimento de políticas de inclusão.

Essa preocupação ganha peso porque Juiz de Fora apresenta um histórico eleitoral diferente de boa parte de Minas Gerais. No primeiro turno de 2026, Lula foi o candidato mais votado na cidade, com aproximadamente 49,5% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou em segundo, embora a vantagem petista tenha sido menor que em 2022. Análise publicada pela Tribuna de Minas apontou, ao mesmo tempo, a manutenção de um perfil mais progressista e o avanço da direita no município.

Assim, a nova configuração da Câmara poderá produzir uma situação curiosa: uma cidade que continua elegendo candidatos de esquerda ou centro-esquerda para cargos majoritários, mas que também passa a contar com maior presença de representantes conservadores no Legislativo municipal.

O que pode estar em disputa em 2027

Entre os temas que podem voltar ao centro da discussão estão:

  • políticas públicas para a população LGBTQIA+;
  • educação sexual e discussões de gênero nas escolas;
  • políticas de saúde voltadas à população trans;
  • políticas para pessoas em situação de rua;
  • programas de inclusão e diversidade;
  • relação entre Prefeitura e movimentos sociais;
  • fiscalização de políticas públicas implementadas pela administração do PT.

A Câmara já possui histórico recente de debates sobre diversidade. Em 2025, uma atividade realizada no Legislativo discutiu justamente o combate à LGBTfobia, políticas inclusivas de saúde e educação e proteção das identidades de gênero e orientações sexuais.

Mudança pode gerar conflito político na Câmara

A chegada dos dois suplentes, portanto, deve ser observada menos como uma simples reposição de cadeiras e mais como parte da transformação do cenário político de Juiz de Fora.

Natália chega com uma produção pública que explicita sua oposição ao PT e à esquerda e apresenta posições conservadoras em temas relacionados a gênero, políticas sociais e administração pública. Carlos, por sua vez, chega com uma agenda declarada mais concentrada em esporte e neurodivergência.

O eventual impacto sobre minorias dependerá, principalmente, das propostas que forem apresentadas e das votações realizadas a partir de 2027.

O debate sobre se isso representará avanço ou retrocesso para a cidade será, portanto, político e dependerá das escolhas feitas pelos próprios parlamentares — e da reação dos demais vereadores, dos movimentos sociais e da sociedade civil.

A mudança, contudo, já está definida em sua origem: duas cadeiras que hoje pertencem a Roberta Lopes e Sargento Mello-Casal continuarão com o PL, mas passarão a ser ocupadas por Natália Paletta e Carlos Meira.

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