Juiz de Fora, MG

Sobre o Portal

Anuncie Conosco

Fale Conosco

Jornalismo Independente & Regional

JUIZ DE FORA – ZONA DA MATA MINEIRA

Cultura • Esportes • Entretenimento • Cidade • Política • Negócios

www.jfdiario.com.br

Internacional

Mobilização de Lula inspira movimentos contra a extrema-direita no mundo

Por Redação
Publicado em 31/10/2026
às 23:51
Pelo mundo o “L” virou símbolo de combate a extrema-direita. (Foto: Reprodução de reportagem da BBC de Londres.)

Experiência brasileira de organização digital, que ganhou força durante a campanha presidencial, começa a ser reproduzida por grupos políticos na Europa e nas Américas. Estratégia inclui mobilização pelo WhatsApp, produção de conteúdo e participação nas ruas.

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras de 2026 começou a repercutir para além das fronteiras do país. Movimentos políticos e organizações de outros lugares do mundo passaram a observar e reproduzir estratégias utilizadas na campanha brasileira, especialmente as iniciativas de mobilização digital que ajudaram a ampliar o alcance das mensagens em defesa da candidatura petista.

A experiência que mais chama a atenção é a do chamado “Exército do Lula”, canal de WhatsApp coordenado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG). A iniciativa reuniu mais de 10 milhões de seguidores durante a reta final da disputa eleitoral e se tornou uma referência para grupos que procuram organizar a comunicação política e enfrentar o crescimento de movimentos de extrema-direita.

A repercussão internacional foi abordada em reportagem da BBC, intitulada How ‘Lula’s Army’ WhatsApp channel helped turn Brazil election around (Como o canal de WhatsApp ‘Exército do Lula’ ajudou a virar a eleição brasileira).

Segundo a publicação, o canal ganhou força principalmente entre o primeiro e o segundo turno, quando apoiadores receberam orientações frequentes para compartilhar vídeos, divulgar hashtags, ampliar o alcance de publicações e conquistar novos apoiadores.

Como funcionou o Exército do Lula

A estratégia coordenada por Janones transformou apoiadores da candidatura em participantes ativos da comunicação eleitoral. Em vez de apenas receberem informações sobre a campanha, os integrantes do canal eram convidados a cumprir tarefas específicas nas redes sociais.

As orientações incluíam compartilhar materiais, comentar publicações, divulgar conteúdos em grupos e estimular outras pessoas a participar da mobilização.

O objetivo era ampliar a circulação das mensagens de Lula em um ambiente digital no qual grupos ligados à direita e ao bolsonarismo já tinham construído uma presença expressiva.

A iniciativa também apostou na linguagem direta, em vídeos curtos e em mensagens de fácil compartilhamento. Com isso, conteúdos produzidos pela campanha e por seus apoiadores conseguiam chegar a pessoas que não acompanhavam necessariamente os canais oficiais do Partido dos Trabalhadores (PT).

A mobilização não ficou restrita à internet. A participação de jovens, organizações sociais e apoiadores em manifestações e atividades presenciais também contribuiu para dar visibilidade à campanha.

Estratégia começa a ser reproduzida no exterior

A repercussão da experiência brasileira já aparece em iniciativas de outros países.

Na França, apoiadores do movimento político de Jean-Luc Mélenchon, ligado ao partido La France Insoumise, organizaram o grupo “Les Soldats Insoumis” (Os Soldados Insurgentes). A iniciativa utiliza aplicativos de mensagens para coordenar a divulgação de conteúdos, estimular o compartilhamento de publicações e ampliar a participação dos apoiadores.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a experiência brasileira foi citada por integrantes do movimento francês como uma referência para a organização digital.

O caso também foi abordado pelo jornal Folha de S.Paulo, em reportagem publicada em 28 de outubro de 2026, que mostrou como grupos políticos de outros países começaram a observar o modelo de mobilização associado à campanha de Lula.

Nos Estados Unidos, ativistas também demonstraram interesse na estratégia brasileira como uma ferramenta de organização de grupos contrários à agenda política de Donald Trump. Na Espanha e no México, gestos e referências associados à campanha de Lula também passaram a aparecer em manifestações e iniciativas políticas.

Na Argentina, a experiência brasileira também despertou interesse de grupos que acompanham as disputas políticas envolvendo a direita e a extrema-direita na América Latina.

O que outros países podem aprender com a experiência brasileira?

A principal característica do modelo é a combinação entre comunicação digital e mobilização presencial. A experiência mostrou como aplicativos populares, especialmente o WhatsApp, podem ser utilizados para organizar milhares de pessoas em torno de objetivos comuns.

Um estudo publicado pelo Journal of Democracy, ao analisar a estratégia da campanha brasileira, destaca que a mobilização digital ganha força quando ultrapassa as telas e se transforma em participação concreta. Isso inclui conversas entre familiares, vizinhos e amigos, organização comunitária e presença nas ruas.

O estudo também chama atenção para a importância de apresentar propostas e perspectivas de futuro, e não limitar a comunicação política à rejeição de adversários.

A estratégia, entretanto, não pode ser simplesmente reproduzida de maneira automática. Cada país possui características próprias, diferentes hábitos de consumo de informação e sistemas políticos distintos. Além disso, o uso de mensagens em massa e de estratégias agressivas de comunicação também levanta discussões sobre os limites éticos da mobilização política nas redes.

Uma experiência brasileira com repercussão internacional

A eleição de Lula colocou novamente o Brasil no centro de um debate internacional sobre democracia, comunicação e participação popular.

A experiência do “Exército do Lula” demonstra como a organização de apoiadores pode ganhar escala quando existe uma rede de comunicação capaz de transformar mensagens em ações coletivas.

Mais do que o resultado eleitoral, o que chama a atenção de movimentos estrangeiros é a possibilidade de conectar pessoas, organizar iniciativas e ampliar a circulação de informações em um cenário de forte polarização política.

A experiência brasileira, agora observada por grupos de diferentes países, abre uma discussão sobre o papel das redes sociais na defesa da democracia e sobre como movimentos políticos podem disputar espaço em um ambiente digital cada vez mais decisivo.

Sobre Redação

Editor-chefe

Leia Também no JF Diário

Eleições 2026, Política

PoderData aponta empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, com 50% dos votos válidos para cada

Por Redação
16/10/2026
Cidade, Região, Tempo e Clima

Minas se prepara para El Niño de alta intensidade, Zona da Mata está entre as áreas de atenção

Por Redação
22/10/2026
Polícia, Região

Mulher acusada de matar cinco filhos e tentar assassinar o sexto vai a júri em MG

Por Redação
27/10/2026