Sessão desta terça-feira (15) foi marcada por troca de acusações no plenário, pedido de vista de Flávio Dino e uma avalanche de memes nas redes sociais. STF ainda não decidiu se Alexandre de Moraes será investigado.
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou nesta terça-feira (15) uma das sessões mais tensas dos últimos tempos sem decidir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A análise foi interrompida depois que o ministro Flávio Dino pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar os autos. O pedido suspendeu o julgamento. Até o momento, o plenário não entrou no mérito sobre a abertura ou não de uma investigação contra Moraes.
O que estava em discussão era se os procedimentos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça deveriam ser analisados juntos ou separadamente.
Como tudo começou
A crise ganhou força no início de setembro, depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Banco Master.
O documento reúne 52 mensagens que, segundo a PF, foram enviadas por Daniel Vorcaro a um número atribuído a Alexandre de Moraes. As mensagens teriam sido trocadas entre 2023 e novembro de 2025.
Entre os conteúdos divulgados está uma referência a um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Também há mensagens nas quais Vorcaro aparentemente buscaria informações relacionadas a uma operação policial que poderia resultar em sua prisão. Segundo a PF, ele foi preso preventivamente em novembro de 2025.
Moraes nega qualquer irregularidade e classificou o relatório como ilegal e inconstitucional.
E onde entra André Mendonça?
Depois da divulgação do relatório, Moraes reagiu e pediu a investigação de Mendonça, alegando possíveis irregularidades na condução das apurações relacionadas ao Banco Master. O ministro também questionou a forma como documentos envolvendo seu próprio nome foram obtidos e divulgados.
Mendonça, por sua vez, defendeu a legalidade de sua atuação e afirmou que os casos envolvendo os dois ministros possuem fatos e fundamentos diferentes.
A Procuradoria-Geral da República também entrou na discussão. O procurador-geral Paulo Gonet pediu a anulação do relatório que envolvia Moraes, argumentando que Mendonça teria avançado sobre a apuração envolvendo um ministro do STF sem autorização prévia do plenário.
Bate-boca no plenário
A discussão jurídica rapidamente ganhou um componente pessoal.
Durante a sessão, Alexandre de Moraes acusou Mendonça de tentar direcionar investigações para incluí-lo em delações. Mendonça negou a acusação.
Gilmar Mendes também entrou no confronto e criticou a atuação de Mendonça. Em determinado momento, chamou o colega de “pixuleco” e “boneco eleitoral”.
Mendonça respondeu pedindo respeito e classificando as declarações como levianas. O clima ficou ainda mais tenso antes do pedido de vista de Flávio Dino.
A ministra Cármen Lúcia, ao apresentar seu voto, afirmou estar “envergonhada” e “triste” por ter de julgar o colega Alexandre de Moraes a 20 dias da eleição, e criticou o que classificou como “espetacularização” do caso.
Como ficou a votação?
Na questão sobre juntar ou separar os procedimentos, o placar formal terminou em 4 votos a 3 pela manutenção dos casos separados.
Votaram pela separação os ministros Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Já pelo julgamento conjunto votaram os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.
Flávio Dino também havia se manifestado favoravelmente à reunião dos casos, mas pediu vista antes da proclamação do resultado. Por isso, seu voto não foi contabilizado no placar provisório.
Os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não participaram da votação depois de se declararem, respectivamente, suspeito e impedido. Esse placar não significa que o STF decidiu investigar ou não investigar Moraes. A discussão sobre a abertura da investigação ainda não foi concluída.
Agitação nas redes sociais
Enquanto os ministros discutiam no plenário, a internet criou sua própria transmissão paralela.
No X, antigo Twitter, a sessão virou meme. Internautas compararam o embate entre os ministros a partidas de futebol, jogos de luta e reality shows.
Uma das expressões que ganhou força foi “rinha de Vossas Excelências”. Também circularam montagens inspiradas em Street Fighter e brincadeiras com supostas “bets” sobre o resultado da sessão.
As falas de Gilmar Mendes e André Mendonça também foram transformadas em memes, principalmente os trechos envolvendo “pixuleco”, “boneco eleitoral” e o pedido de Mendonça para que o colega o respeitasse.
O caso também ganhou contornos políticos nas redes, com manifestações de políticos e grupos de diferentes campos ideológicos.
Ao mesmo tempo, começaram a circular conteúdos falsos e manipulados sobre o episódio. Por isso, uma informação importante para quem acompanha o julgamento pelas redes é distinguir o que foi efetivamente apresentado no processo do que surgiu como meme, comentário ou conteúdo político.
O que acontece agora?
Com o pedido de vista, Flávio Dino terá prazo regimental para analisar os autos antes de devolver o processo.
A regra atual prevê prazo de até 90 dias corridos para a devolução dos autos em pedidos de vista, contado conforme as regras regimentais. Depois disso, o julgamento precisa ser novamente incluído na pauta para prosseguir.
A sessão desta terça terminou sem uma decisão definitiva sobre se mantém junto ou separado os casos de Moraes e Mendonça.