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Eleições 2026, Política

PT mira Minas, abstenção e redes sociais para tentar virar eleição contra Flávio Bolsonaro

Por Redação
Publicado em 07/10/2026
às 21:02
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Ricardo Stuckert e Vittor Sales

Estratégia de Lula para o segundo turno passa por recuperar espaço no Sudeste, ampliar alianças políticas e aumentar a mobilização de eleitores; Flávio terminou o primeiro turno na liderança nacional e venceu em Minas Gerais

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou no segundo turno com a tarefa de reverter uma vantagem de mais de 2,2 milhões de votos obtida por Flávio Bolsonaro (PL) na primeira etapa da eleição. Para tentar alcançar a virada até 25 de outubro, o PT pretende concentrar esforços no aumento da participação eleitoral de seus eleitores, na recuperação de votos no Sudeste — especialmente em Minas Gerais —, na busca por novos aliados e em uma atuação mais intensa nas redes sociais.

A diferença nacional é um dos principais dados que orientam a estratégia petista. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A vantagem do candidato do PL foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.

O resultado fez com que a campanha de Lula alterasse o planejamento para a segunda etapa da disputa. Reportagem da Folha de S.Paulo aponta que o PT avalia que problemas de comunicação, uma campanha considerada pouco coordenada e dificuldades de mobilização contribuíram para o resultado abaixo do esperado. A equipe também pretende reforçar a comparação entre os projetos políticos e aumentar a presença de Lula nas ruas e nas plataformas digitais.

Minas Gerais virou uma das prioridades

Minas Gerais aparece entre os principais desafios da campanha petista. O estado, que possui 16,3 milhões de eleitores aptos, terminou o primeiro turno com Flávio Bolsonaro na frente de Lula.

Os dados da votação mostram que Flávio recebeu cerca de 5,78 milhões de votos no estado, contra aproximadamente 5,19 milhões de Lula. A diferença foi de 588,6 mil votos a favor do candidato do PL.

O desempenho mineiro chama atenção porque, historicamente, o estado é considerado estratégico para uma disputa presidencial. Além disso, pesquisas realizadas antes da votação já apontavam uma disputa apertada. No levantamento Datafolha divulgado em 28 de setembro, Lula tinha 39% das intenções de voto no primeiro turno contra 37% de Flávio. Para um eventual segundo turno, Flávio aparecia numericamente à frente, com 46% contra 44% de Lula, dentro da margem de erro.

A campanha petista decidiu, por isso, ampliar a coordenação política em Minas Gerais e descentralizar a mobilização pelo estado. A movimentação foi discutida por Lula e aliados em reunião realizada em Brasília nesta semana.

Juiz de Fora contrasta com o resultado estadual

Apesar da vantagem de Flávio em Minas Gerais, Juiz de Fora apresentou um resultado diferente.

Na cidade, Lula terminou o primeiro turno na liderança, com 49,54% dos votos válidos e 149.863 votos. Flávio Bolsonaro ficou em segundo, com 41,56% e 125.720 votos. Augusto Cury (Avante) apareceu em terceiro, com 3,44%, ou 10.404 votos.

A diferença entre Lula e Flávio no município foi de 24.143 votos.

O resultado local coloca Juiz de Fora em uma situação diferente da tendência observada no restante do estado. Para o PT, ampliar a votação em cidades onde Lula já foi competitivo pode ser uma das formas de compensar perdas registradas em outras regiões mineiras.

Abstenção também está no radar

Outra frente da campanha será tentar aumentar o comparecimento às urnas.

Segundo a Agência Brasil, a abstenção nacional ficou em aproximadamente 21% do eleitorado no primeiro turno. Brancos e nulos somaram quase 4%.

A estratégia petista, de acordo com o InfoMoney, inclui estimular a participação de grupos nos quais Lula já possui vantagem eleitoral. A avaliação é que recuperar eleitores que deixaram de votar pode ser mais eficiente do que tentar conquistar integralmente o eleitorado que escolheu Flávio no primeiro turno.

Em Juiz de Fora, esse eleitorado também representa uma parcela importante da população que poderá definir o segundo turno. O desafio da campanha será transformar a vantagem obtida no primeiro turno em maior mobilização no dia 25 de outubro.

PT também busca apoio de partidos de centro

A disputa por alianças será outra frente decisiva.

A campanha de Lula já iniciou conversas com lideranças de partidos do centro, incluindo PSD e Republicanos. O objetivo é ampliar os palanques estaduais e conquistar apoio político ou, ao menos, evitar que estruturas partidárias inteiras migrem para Flávio.

O cenário é particularmente importante porque partidos que ficaram pelo caminho possuem milhões de votos que agora podem ser disputados pelos dois candidatos.

Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), por exemplo, somaram aproximadamente 5,2 milhões de votos no primeiro turno. O PSD decidiu liberar seus diretórios estaduais para escolherem livremente quem apoiar no segundo turno.

Flávio também trabalha para ampliar sua frente política. A campanha do candidato do PL tenta atrair partidos do Centrão e obter o apoio de candidatos derrotados, entre eles Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado.

Comunicação será outro campo de batalha

A campanha petista também avalia mudanças na comunicação.

Uma das propostas apresentadas dentro do campo de apoio a Lula é aumentar a presença do candidato nas redes sociais e utilizar essas plataformas para apresentar aos eleitores informações sobre a trajetória política de Flávio Bolsonaro. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) defendeu publicamente uma atuação mais intensa nesse ambiente.

A estratégia ocorre em um cenário no qual a campanha de Flávio pretende explorar justamente o antipetismo como uma de suas principais bandeiras no segundo turno, buscando atrair eleitores que votaram em candidatos de direita e centro-direita no primeiro turno.

O PT, portanto, terá de disputar não apenas votos, mas também a narrativa sobre qual dos dois candidatos representa mudança ou continuidade.

O tamanho do desafio

A matemática do segundo turno deixa claro o tamanho da tarefa de Lula. Flávio terminou a primeira etapa com aproximadamente 2,23 milhões de votos de vantagem. Como os dois candidatos partirão para uma disputa sem outros nomes na urna presidencial, a campanha petista precisa combinar transferência de votos dos candidatos eliminados, redução da abstenção e conquista de parte do eleitorado que escolheu Flávio no primeiro turno.

O Nordeste continua sendo uma importante base de Lula, enquanto o Sudeste aparece como uma das principais regiões para a tentativa de virada. Flávio venceu nos estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, enquanto Lula ficou à frente nos estados nordestinos, além de Pará, Amapá e Amazonas.

Em Minas Gerais, o desafio é ainda mais simbólico: o estado passou a ser uma das prioridades declaradas da campanha petista, enquanto Juiz de Fora oferece um contraponto ao resultado estadual ao mostrar que Lula ainda possui uma vantagem expressiva em parte do eleitorado mineiro.

A eleição será decidida no dia 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro.

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