A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (25), a Operação Alto Custo para investigar uma possível fraude envolvendo processos judiciais que determinam ao poder público a compra de medicamentos de alto valor. A suspeita é de que advogados e empresas tenham apresentado cotações acima dos preços praticados no mercado para aumentar os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, autorizados pela Justiça Federal. As medidas ocorreram em Nova Lima e São João del-Rei, em Minas Gerais, a cerca de 266 e 155 quilômetros de Juiz de Fora, respectivamente.
De acordo com a investigação, os processos judiciais utilizados para solicitar os medicamentos teriam sido instruídos repetidamente com orçamentos considerados suspeitos. A Polícia Federal apura se parte dessas cotações foi fornecida por empresas que também estão entre os alvos da operação.
A principal linha de investigação é verificar se houve uma atuação articulada entre os envolvidos para elevar artificialmente os preços apresentados à Justiça. Caso a suspeita seja confirmada, o mecanismo poderia resultar no aumento dos recursos públicos destinados à aquisição dos medicamentos determinados judicialmente.
Durante a operação, os agentes apreenderam documentos e aparelhos celulares. O material deverá ser analisado para identificar a dinâmica da suposta prática, a participação individual dos investigados e a eventual existência de outras pessoas envolvidas.
A investigação teve origem em desdobramentos da Operação Onco Juris, realizada anteriormente no Mato Grosso do Sul para apurar um esquema relacionado à obtenção judicial de medicamentos oncológicos com valores considerados superfaturados.
A Operação Alto Custo busca reunir novos elementos sobre o funcionamento do possível esquema. Até o momento, os investigados são alvo de apuração e não há, com base nas informações divulgadas, conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.