Juiz de Fora, MG

Sobre o Portal

Anuncie Conosco

Fale Conosco

Jornalismo Independente & Regional

JUIZ DE FORA – ZONA DA MATA MINEIRA

Cultura • Esportes • Entretenimento • Cidade • Política • Negócios

www.jfdiario.com.br

Política

Lula x Flávio Bolsonaro: trajetórias políticas têm agendas e resultados muito diferentes

Por Redação
Publicado em 09/10/2026
às 15:17
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). (Foto: Agência Brasil.)
flaviolula

Enquanto Lula acumulou três mandatos presidenciais e é associado à criação ou expansão de programas de transferência de renda, habitação, educação, saúde e infraestrutura, Flávio Bolsonaro construiu sua carreira no Legislativo com foco principalmente em segurança pública, endurecimento penal e ampliação do acesso a armas

A comparação entre as trajetórias políticas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial de 2026, revela dois projetos políticos construídos em experiências bastante diferentes. Lula chegou à Presidência pela primeira vez em 2003, foi reeleito em 2006 e voltou ao cargo em 2023. Flávio iniciou a carreira eletiva em 2003, como deputado estadual no Rio de Janeiro, foi reeleito quatro vezes para a Assembleia Legislativa e chegou ao Senado em 2019.

A diferença aparece principalmente na natureza das políticas associadas aos dois políticos. Enquanto a trajetória presidencial de Lula inclui uma extensa estrutura de políticas públicas nas áreas social, econômica, educacional, habitacional e de infraestrutura, a atuação de Flávio no Congresso tem como uma de suas principais marcas a segurança pública e o endurecimento da legislação penal.

Lula e a construção de uma rede de políticas sociais

Nos dois primeiros mandatos presidenciais, entre 2003 e 2010, o governo Lula lançou ou estruturou uma série de programas que posteriormente se tornaram políticas públicas de grande alcance.

Um dos principais foi o Bolsa Família, criado em 2003 e transformado em lei no ano seguinte. O programa unificou iniciativas de transferência de renda que já existiam, como Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Cartão Alimentação.

Na área de segurança alimentar, também foram criados ou ampliados programas como o Fome Zero, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Cisternas. O PAA foi criado em 2003 para comprar alimentos da agricultura familiar e destiná-los a populações em situação de insegurança alimentar. O Programa Cisternas passou a ser política pública no mesmo ano, levando tecnologias de acesso à água para famílias rurais.

Outro programa criado naquele período foi o Luz para Todos, instituído em novembro de 2003. O objetivo era ampliar o acesso à energia elétrica, especialmente em áreas rurais. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Censo 2000 apontava que aproximadamente 10 milhões de brasileiros viviam no meio rural sem eletricidade.

Na saúde, o governo criou o Brasil Sorridente, em 2004, política nacional de saúde bucal integrada ao SUS, e estruturou nacionalmente o SAMU 192, também em 2004.

A Farmácia Popular também foi instituída em 2004, com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos e reduzir o peso dos gastos com tratamentos no orçamento das famílias.

Educação e expansão das universidades

Na educação, um dos programas mais conhecidos do período foi o Prouni, criado em 2004 e instituído por lei em 2005. O programa passou a oferecer bolsas integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior para estudantes que atendem aos critérios estabelecidos pela legislação.

Também ocorreu uma forte expansão da rede federal de ensino superior e profissional.

Dados do Ministério da Educação mostram que, entre 2003 e 2010, foram criadas 14 novas universidades federais, enquanto a expansão da rede de educação profissional criou 214 novas escolas. O número de campi e unidades universitárias federais passou de 148 em 2002 para 274 em 2010.

O Reuni, instituído em 2007, foi outra iniciativa importante. O programa buscou ampliar vagas, cursos, estruturas e condições de permanência nas universidades federais.

Habitação e infraestrutura

Em 2007, Lula lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que concentrou investimentos em infraestrutura, incluindo transporte, energia, recursos hídricos, saneamento e habitação.

Dois anos depois, em 2009, foi criado o Minha Casa, Minha Vida, programa de habitação popular destinado principalmente às famílias de menor renda. A iniciativa foi instituída pela Lei nº 11.977.

Em 2008, o governo também criou o Territórios da Cidadania, que reunia ações de diferentes ministérios para enfrentar pobreza e desigualdades sociais e econômicas em regiões rurais.

O impacto sobre renda, emprego e desigualdade

Os indicadores disponíveis mostram uma melhora importante em diversos aspectos sociais ao longo dos anos 2000 e início da década seguinte.

O próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra uma queda contínua da desigualdade de renda ao longo do período. Entre 2001 e 2013, o índice de Gini do rendimento de todas as fontes caiu de 0,560 para 0,501. O processo incluiu os anos dos dois primeiros governos Lula, embora o resultado não possa ser atribuído exclusivamente a uma única política ou presidente.

O Arquivo Nacional também registra que os governos Lula foram marcados por redução do desemprego, expansão do mercado interno, valorização do salário mínimo e ampliação de programas de transferência de renda.

O segundo mandato ainda atravessou a crise financeira internacional de 2008, período em que o governo utilizou medidas de estímulo ao crédito, investimento e consumo para tentar preservar a atividade econômica.

E o que Flávio Bolsonaro fez na política?

Flávio Bolsonaro possui uma trajetória predominantemente legislativa. Começou como deputado estadual no Rio de Janeiro em 2003, permaneceu na Assembleia Legislativa por quatro mandatos consecutivos e chegou ao Senado em 2019. Em 2025, tornou-se presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado.

Sua atuação parlamentar concentra-se especialmente em segurança pública, armas e endurecimento da legislação penal.

Um exemplo é a PEC 32/2019, de sua autoria e de outros senadores, que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e prevê responsabilização penal a partir dos 14 anos em determinadas situações previstas originalmente na proposta. A matéria continua em tramitação no Senado.

Outro eixo de sua atuação é a flexibilização do acesso a armas.

Flávio foi autor, junto com outros senadores, do PDL 193/2023, que busca sustar decreto de 2023 que estabeleceu regras mais restritivas para registro, posse e porte de armas. A proposta permanece em tramitação.

Em 2026, como relator na Comissão de Segurança Pública, Flávio também deu parecer favorável a projeto que permite porte de arma para integrantes das Defensorias Públicas, desde que cumpridos requisitos técnicos e psicológicos. O projeto avançou na comissão e seguiu para a CCJ.

Outro exemplo é sua relatoria de proposta que permite porte de arma para mulheres sob medida protetiva de urgência. O projeto ainda está em tramitação e não significa que a medida tenha se tornado lei.

Projetos apresentados x políticas efetivamente transformadas em lei

Essa é uma diferença importante na comparação.

Flávio apresentou e relatou diversas propostas durante sua passagem pelo Senado, mas a quantidade de projetos apresentados não equivale automaticamente à quantidade de políticas públicas implementadas.

Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo em maio de 2026 apontou que, até aquele momento, nenhum projeto de autoria exclusiva de Flávio havia sido transformado em lei. O levantamento identificou, porém, duas normas em que ele apareceu como coautor: uma emenda constitucional relacionada à isenção de IPVA para veículos com mais de 20 anos e uma lei relacionada ao microcrédito.

Flávio também foi relator de matérias que resultaram em leis. Entre elas está a legislação que restringiu a saída temporária de presos, além de uma atualização da legislação do turismo, conforme levantamento da Agência Senado.

Portanto, dizer que ele “não fez nada” seria incorreto. O registro legislativo mostra atuação efetiva. A diferença é que seu legado parlamentar é predominantemente associado a propostas de segurança pública, armas e legislação penal, enquanto a trajetória presidencial de Lula envolve um conjunto muito mais amplo de políticas públicas executadas pelo governo federal.

Dois modelos de atuação política

A comparação permite identificar dois modelos distintos.

LulaFlávio Bolsonaro
Presidente da República em três períodosDeputado estadual e senador
Políticas nacionais executadas pelo ExecutivoAtuação predominantemente legislativa
Bolsa FamíliaSegurança pública
Luz para TodosFlexibilização de regras sobre armas
ProuniRedução da maioridade penal
Farmácia PopularEndurecimento da legislação penal
Brasil SorridentePorte e posse de armas
SAMUProjetos ligados ao sistema prisional
Minha Casa, Minha VidaAtuação na Comissão de Segurança Pública
PACPropostas de alteração da legislação penal
Expansão das universidades federaisDefesa de pautas de segurança e armamento

Essa diferença não significa, por si só, que uma agenda seja necessariamente melhor ou pior. São prioridades políticas diferentes, com efeitos esperados sobre áreas distintas da administração pública.

O terceiro governo Lula

A comparação também precisa considerar que Lula não está sendo avaliado apenas pelo período de 2003 a 2010. Desde 2023, seu terceiro governo retomou ou reformulou políticas anteriores e criou novas iniciativas.

Entre elas estão a retomada do Minha Casa, Minha Vida, do Farmácia Popular, do Bolsa Família e do Luz para Todos, além de políticas como Desenrola Brasil, Pé-de-Meia, Brasil Sem Fome, Novo PAC e novas ações de expansão de escolas e infraestrutura. Em 2023, o governo informou ter criado ou retomado 75 programas sociais.

Os dados mais recentes também mostram resultados sociais relevantes. Segundo relatório de 2026 produzido pelo Dieese e divulgado pelo governo, 71% dos indicadores de desigualdade monitorados apresentaram melhora em 2025. A taxa de desocupação caiu para 5,6% e o rendimento médio real cresceu 5,3% naquele ano.

O governo também afirma que a combinação de crescimento, emprego, valorização do salário mínimo e políticas de proteção social contribuiu para a retirada do Brasil do Mapa da Fome.

O que a comparação mostra

A trajetória dos dois candidatos evidencia uma diferença de escala e de área de atuação. Lula acumulou experiência sindical, parlamentar e três períodos na Presidência da República, com um histórico de execução de políticas nacionais em áreas como renda, alimentação, educação, saúde, habitação, infraestrutura e energia. Flávio Bolsonaro construiu sua carreira no Legislativo e concentrou sua atuação principalmente em segurança pública, legislação penal e política de armas.

Para o eleitor, a comparação entre os dois passa, portanto, não apenas pelos discursos da campanha de 2026, mas também pelo histórico concreto de políticas implementadas, projetos apresentados, leis produzidas e prioridades defendidas ao longo de suas respectivas trajetórias políticas.

Sobre Redação

Editor-chefe

Leia Também no JF Diário

Cidade

Mulher fica ferida após ser atacada por cachorro no Sante Efigênia

Por Redação
01/09/2026
Esportes

Giro esportivo: Confira a rodada dos clubes de MG e RJ

Por Nathan Marcelino
15/09/2026
Cidade, Região, Saúde

Nova base aeromédica é inaugurada em Juiz de Fora e deve atender 3 milhões de pessoas

Por Redação
16/09/2026