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Eleições 2026, Nacional, Política

Lula intensifica apelo a eleitores ausentes no primeiro turno e amplia alcance nas redes

Por Redação
Publicado em 17/10/2026
às 20:55
Lula em ato pela reeleição em Juiz de Fora. (Foto: Fotos: Estela Loth/ PSOL JF)

Em campanha pela reeleição, presidente pede mobilização de apoiadores para convencer amigos e familiares a votar em 25 de outubro; mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas na primeira etapa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica a mobilização para conquistar votos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e tem direcionado parte de sua campanha aos brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A estratégia busca ampliar a participação eleitoral e fortalecer sua candidatura contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Durante uma caminhada de campanha em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, na sexta-feira (16), Lula pediu que apoiadores conversem com parentes, amigos e conhecidos para incentivá-los a votar no próximo dia 25. O presidente argumentou que o resultado da eleição terá consequências para o futuro do país.

“É importante a gente convencer as pessoas a irem votar. As pessoas precisam saber que o que está em risco é o futuro do País”, afirmou.

Lula também defendeu uma mobilização de porta em porta para alcançar quem não participou da primeira votação. “No dia 25, vamos de casa em casa para convencer as pessoas que não foram votar a irem votar”, declarou.

O presidente relacionou a disputa à possibilidade de continuidade das políticas de seu governo e fez críticas ao grupo político do adversário. Segundo Lula, é necessário impedir que o bolsonarismo volte a governar o Brasil.

Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo?

Sim. A Justiça Eleitoral esclarece que cada turno é considerado uma eleição independente. Portanto, quem não compareceu às urnas em 4 de outubro pode votar normalmente em 25 de outubro, desde que esteja com a situação eleitoral regular.

A ausência no primeiro turno não impede a participação no segundo, e não é necessário justificar a falta antes de votar novamente. Entretanto, o eleitor continua obrigado a apresentar a justificativa referente à primeira etapa, caso tenha deixado de votar e não estivesse dispensado dessa obrigação.

O prazo para justificar a ausência no primeiro turno termina em 3 de dezembro de 2026. A regularidade do título eleitoral pode ser consultada pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.

A informação é importante diante do número expressivo de brasileiros que não compareceram às urnas. Mais de 33 milhões de eleitores ficaram ausentes no primeiro turno, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo dados divulgados sobre a votação.

O que Lula apresenta como justificativa para pedir mais um mandato?

Além de buscar os votos de quem não compareceu às urnas, Lula procura convencer eleitores indecisos e aqueles que escolheram outros candidatos na primeira etapa. O discurso da campanha combina a defesa das políticas sociais e dos direitos trabalhistas com críticas ao projeto político de Flávio Bolsonaro.

Entre os principais argumentos apresentados pelo presidente estão:

Defesa dos direitos dos trabalhadores: Lula tem defendido o fim da escala de trabalho 6×1, pauta que associa à melhoria da qualidade de vida da população. Em Juiz de Fora, afirmou que os trabalhadores não terão prejuízos com a mudança e criticou o que considera ameaças aos direitos trabalhistas representadas pelo grupo adversário.

Manutenção de políticas sociais: a campanha destaca iniciativas como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo e programas de incentivo à educação. A mensagem busca associar a continuidade do governo à preservação de políticas voltadas à população de menor renda.

Prevenção de retrocessos: Lula tem apresentado a eleição como uma escolha entre projetos políticos diferentes. Em seus discursos, critica o bolsonarismo e afirma que o país não deve retroceder em direitos e políticas públicas. Durante o ato em Juiz de Fora, voltou a utilizar esse argumento ao alertar contra o retorno do grupo adversário ao governo federal.

Participação popular: o presidente também sustenta que o resultado não depende apenas da preferência declarada por um candidato, mas da presença dos eleitores nas urnas. Por isso, pede que seus apoiadores atuem diretamente na mobilização de pessoas que não votaram ou ainda estão indecisas.

A disputa também depende de quem ficou em casa

A campanha de Lula considera a redução da abstenção uma frente importante na reta final da eleição. O objetivo é transformar a preferência política em comparecimento efetivo no dia da votação, especialmente entre pessoas que já demonstraram simpatia pelo presidente, mas não participaram do primeiro turno.

O desafio é convencer esses eleitores de que a escolha de 25 de outubro pode influenciar os rumos do país nos próximos anos. Ao mesmo tempo, Lula precisa dialogar com quem votou em outros candidatos ou ainda não decidiu em quem votar.

O segundo turno será realizado no domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros escolherão entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Até lá, a campanha petista pretende ampliar a mobilização presencial e nas redes sociais, reforçando o pedido para que os eleitores compareçam às urnas.

A mensagem central de Lula é que a decisão sobre o futuro do Brasil deve ser tomada com ampla participação popular; e que quem não votou na primeira etapa ainda pode participar da escolha no segundo turno.

“Exército do Lula” chega a 5 milhões de seguidores e impulsiona mobilização digital pela reeleição

Coordenado por André Janones, canal no WhatsApp organiza ações para ampliar o alcance da campanha petista; levantamento aponta avanço expressivo no engajamento de Lula nas redes sociais após o primeiro turno.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica a mobilização nas redes sociais na reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Uma das principais iniciativas é o chamado “Exército do Lula”, canal no WhatsApp coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que alcança 5 milhões de seguidores neste sábado (17).

A expansão ocorre em um momento decisivo da disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja votação superou a de Lula no primeiro turno. Com a votação marcada para 25 de outubro, a estratégia busca ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente, mobilizar apoiadores e incentivar eleitores a participar da decisão.

Criado em abril, o canal ganhou uma nova dimensão após o primeiro turno, quando passou a funcionar como uma estrutura de mobilização digital. Até então, reunia cerca de 50 mil participantes. Em poucos dias, o número saltou para milhões, transformando a iniciativa em um dos principais instrumentos de organização da militância petista na internet.

André Janones organiza “missões” para a militância

O deputado André Janones coordena a distribuição de mensagens, vídeos, áudios e orientações para os participantes do canal. Entre as tarefas propostas estão compartilhar publicações, comentar conteúdos, divulgar hashtags e convidar outras pessoas para acompanhar a iniciativa.

A lógica é ampliar a presença de apoiadores em diferentes plataformas, incluindo Instagram, Facebook, TikTok e X. Em vez de concentrar toda a comunicação nos perfis oficiais do presidente, a estratégia procura multiplicar os pontos de divulgação, fazendo com que conteúdos favoráveis a Lula circulem por redes pessoais e grupos de mensagens.

Janones utiliza uma linguagem militarizada, com expressões como “soldados”, “tropa” e “missões”, para estimular o envolvimento dos participantes. O parlamentar também tem convocado os integrantes a dedicar mais tempo à campanha e a atuar de forma coordenada na reta final da eleição.

A marca de 5 milhões de seguidores representa um crescimento de aproximadamente 100 vezes em relação aos cerca de 50 mil inscritos que o canal reunia antes da votação de 4 de outubro. Entre 13 e 17 de outubro, o número também avançou de aproximadamente 4,2 milhões para 5 milhões.

O crescimento, por si só, não comprova que todos os integrantes estejam ativos ou que votarão em Lula. Ainda assim, demonstra a capacidade de mobilização alcançada pelo canal em um intervalo curto.

Engajamento de Lula dispara nas redes sociais

O avanço do “Exército do Lula” coincide com uma recuperação expressiva do presidente em indicadores de engajamento digital.

Levantamento do Projeto Brief, divulgado pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, apontou que as publicações de Lula somaram 9,9 milhões de interações em 7 de outubro, considerando curtidas, comentários e compartilhamentos nas contas oficiais dos candidatos em diferentes plataformas.

No dia seguinte, o total mais que dobrou, impulsionado por uma publicação no Instagram do presidente. O vídeo, no qual Lula convoca eleitores a conversar com outras pessoas e participar da campanha, ultrapassou 3,1 milhões de interações e alcançou 26,9 milhões de visualizações, segundo o levantamento.

A pesquisa também identificou uma mudança na disputa pelo engajamento: depois de semanas em que Flávio Bolsonaro aparecia à frente, Lula passou a liderar esse indicador a partir de 5 de outubro.

Os números sugerem que a campanha petista conseguiu ampliar a repercussão de suas publicações depois do primeiro turno. A combinação entre vídeos do próprio presidente, mobilização de militantes e compartilhamento de conteúdos pode contribuir para manter a candidatura no centro das conversas digitais.

É importante, contudo, diferenciar engajamento de intenção de voto. Curtidas, comentários, visualizações e compartilhamentos indicam alcance e participação nas plataformas, mas não permitem concluir quantos eleitores votarão em determinado candidato.

Mobilização digital também mira quem não votou

A estratégia nas redes sociais se conecta a outro desafio da campanha de Lula: convencer os eleitores ausentes no primeiro turno a comparecer às urnas em 25 de outubro.

Mais de 33,4 milhões de brasileiros não votaram em 4 de outubro, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Esse contingente representa uma parcela expressiva da população apta a votar e pode influenciar o resultado da disputa, embora não seja possível presumir a preferência política dessas pessoas.

A Justiça Eleitoral esclarece que quem deixou de votar no primeiro turno pode participar normalmente do segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular. A ausência anterior não impede o voto na etapa seguinte, mas continua sendo necessário justificar o não comparecimento dentro do prazo estabelecido.

Nesse contexto, a campanha petista busca transformar a mobilização digital em conversas presenciais, pedidos de voto e comparecimento às urnas. A intenção é alcançar não apenas os apoiadores já mobilizados, mas também familiares, amigos e eleitores que ainda não decidiram se participarão da votação.

A iniciativa amplia o alcance das convocações feitas pelo próprio Lula, que tem defendido a participação popular e pedido aos apoiadores que conversem com outras pessoas sobre a escolha presidencial.

Disputa digital chega ao Tribunal Superior Eleitoral

O crescimento do “Exército do Lula” também provocou uma disputa jurídica. O canal foi alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinaram sua suspensão temporária, após questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A controvérsia envolveu alegações sobre conteúdos divulgados e a necessidade de identificar a relação do canal com a campanha eleitoral. Após a comunicação dos dados do espaço à Justiça Eleitoral, o funcionamento foi restabelecido.

O episódio evidenciou a importância que os canais de mensagens passaram a ter na campanha e levantou discussões sobre as regras aplicáveis à mobilização eleitoral na internet.

A dimensão alcançada pelo canal também aumentou a visibilidade de Janones, que passou a ocupar um papel de destaque na estratégia digital favorável a Lula no segundo turno.

Reta final combina mobilização nas ruas e nas redes

Com a eleição marcada para 25 de outubro, a campanha petista procura combinar atos presenciais, discursos de Lula, publicações nas redes sociais e iniciativas organizadas por apoiadores.

O crescimento do “Exército do Lula” e o aumento das interações nas contas oficiais do presidente mostram que a disputa digital ganhou intensidade após o primeiro turno. O desafio agora é transformar esse alcance em mobilização efetiva, especialmente entre eleitores indecisos e aqueles que não compareceram à primeira votação.

A eleição ainda será decidida nas urnas. Por isso, embora os indicadores digitais apontem uma ampliação da presença de Lula nas redes, o efeito dessa movimentação sobre o resultado final permanece em aberto.

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