Juiz de Fora, MG

Sobre o Portal

Anuncie Conosco

Fale Conosco

Jornalismo Independente & Regional

JUIZ DE FORA – ZONA DA MATA MINEIRA

Cultura • Esportes • Entretenimento • Cidade • Política • Negócios

www.jfdiario.com.br

Polícia, Política

De Ana Clara ao caso Banco Master: as controvérsias e investigações que cercam Flávio Bolsonaro

Por Redação
Publicado em 22/10/2026
às 18:48
Flávio Bolsonaro atuou na defesa do policial que matou a menina Ana Clara, de 5 anos, no Rio de Janeiro | Crédito: Reprodução/Redes sociais

Senador e candidato à Presidência é alvo de apuração sobre financiamento de filme, já foi denunciado no caso das rachadinhas e teve negócios imobiliários questionados por investigadores; defesa nega irregularidades e parte das apurações anteriores foi encerrada após decisões judiciais

A atuação do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) na defesa de um policial militar acusado de matar uma criança de cinco anos voltou a colocar em evidência as controvérsias que acompanham sua trajetória política. Ao longo dos anos, o parlamentar também esteve no centro de investigações sobre suspeitas de desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro, movimentações financeiras consideradas atípicas e negócios com origem de recursos questionada por autoridades.

Entre os episódios mais recentes está sua atuação na defesa do ex-policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara, de cinco anos, com dois tiros de fuzil, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A menina brincava na porta de casa quando foi atingida, em 2 de fevereiro de 2021.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Delaroli por homicídio doloso. Preso em flagrante na ocasião, o então cabo da Polícia Militar passou a responder ao processo em liberdade a partir de novembro de 2021. Posteriormente, a Justiça determinou que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Em 2024, Flávio passou a integrar a defesa do policial e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão que determinava o julgamento popular. O pedido foi negado, mas o julgamento inicialmente previsto para 21 de outubro de 2026 acabou adiado para 2027.

O adiamento prolonga a espera da família por uma decisão judicial. Em declaração divulgada pelo Brasil de Fato, a mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, cobrou que o acusado seja levado a julgamento e relatou o sofrimento acumulado desde a morte da filha.

A atuação de Flávio no caso provoca questionamentos políticos, sobretudo diante de seu discurso público em defesa da família e de valores conservadores. A participação na defesa, por si só, não configura ilegalidade: o exercício da advocacia e do direito de defesa é garantido constitucionalmente. A controvérsia envolve as escolhas políticas do senador e as consequências de sua atuação para a tramitação do processo.

O episódio, porém, é apenas uma das controvérsias associadas ao parlamentar. Outros casos envolvem investigações financeiras e suspeitas que precisam ser analisadas conforme seu estágio judicial.

Caso das rachadinhas: a investigação que marcou sua passagem pela Alerj

Uma das principais controvérsias da trajetória de Flávio Bolsonaro surgiu durante seu mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O Ministério Público investigou um possível esquema de rachadinha, prática na qual funcionários de um gabinete são pressionados a devolver parte dos salários recebidos com recursos públicos. Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 6 milhões.

As apurações ganharam força após a identificação de movimentações financeiras consideradas atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram cerca de R$ 1,2 milhão em movimentações na conta de Queiroz entre 2016 e 2017.

O ex-assessor foi apontado pelos investigadores como figura central no suposto mecanismo de recolhimento de parte dos salários de funcionários do gabinete. Também chamaram a atenção transferências envolvendo familiares de Queiroz que ocupavam cargos em gabinetes ligados à família Bolsonaro.

Outro episódio que ganhou repercussão foi um cheque de R$ 24 mil destinado a Michelle Bolsonaro, mulher do então presidente Jair Bolsonaro. A justificativa apresentada pela família foi a de que o valor correspondia ao pagamento de um empréstimo pessoal.

Em novembro de 2020, Flávio foi denunciado pelo Ministério Público sob acusação de liderar uma organização criminosa destinada ao recolhimento de parte dos salários de servidores. Ele negou ter participado de irregularidades e atribuiu eventual responsabilidade a Queiroz.

O caso, entretanto, não resultou em condenação criminal. Em 2021, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) invalidaram provas utilizadas na investigação, e o procedimento acabou arquivado.

No STF, a Segunda Turma considerou ilegal o compartilhamento de quatro dos cinco relatórios de inteligência financeira que haviam embasado a denúncia, por entender que os dados foram repassados ao Ministério Público sem a autorização judicial necessária naquele contexto.

O encerramento da investigação não equivale a uma condenação nem permite afirmar que Flávio tenha cometido os crimes investigados. Por outro lado, reportagens publicadas em 2026 destacaram que questões sobre a origem de determinados recursos utilizados pelo senador continuaram sem esclarecimento público abrangente.

Dinheiro em espécie e despesas sem origem comprovada

As movimentações financeiras de Flávio também foram questionadas por investigadores durante as apurações sobre as rachadinhas.

Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo em março de 2026, o Ministério Público identificou pelo menos R$ 977 mil em despesas realizadas entre 2010 e 2014 cuja origem não teria sido comprovada durante a investigação.

O período chamou a atenção porque Flávio e sua então mulher exerciam atividades no serviço público, sem uma fonte de renda em espécie declarada que explicasse, segundo os investigadores, o volume de recursos utilizado em determinadas operações.

Entre as despesas citadas estavam pagamentos de impostos, móveis, plano de saúde e mensalidades escolares. A investigação também apontou um depósito de R$ 25 mil em dinheiro na conta da então mulher do senador, realizado por Queiroz pouco antes do pagamento da entrada de um imóvel.

O uso de dinheiro vivo não é, isoladamente, prova de crime. O questionamento dos investigadores estava relacionado à origem dos valores, à compatibilidade com os rendimentos declarados e à possibilidade de conexão com o suposto esquema no gabinete parlamentar.

A defesa de Flávio nega irregularidades. Em manifestações públicas sobre o caso, o senador sustentou que o encerramento das investigações demonstraria sua honestidade.

Franquia da Kopenhagen: suspeitas de lavagem de dinheiro

Outro ponto investigado envolveu uma franquia da rede de chocolates Kopenhagen mantida por Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.

Segundo as apurações do Ministério Público, a conta da empresa recebeu depósitos em dinheiro vivo em volume considerado incompatível com o faturamento identificado pelos fiscais do shopping onde a loja funcionava.

De acordo com reportagem da Folha, a diferença entre os créditos registrados na conta da franquia e o faturamento apurado somou aproximadamente R$ 1,6 milhão.

Para os investigadores, a empresa poderia ter sido utilizada para inserir recursos de origem ilícita no circuito financeiro formal, prática conhecida como lavagem de dinheiro.

Flávio negou essa hipótese e questionou a lógica da suspeita, argumentando publicamente que uma franquia comercial, submetida a controles externos, não seria um meio adequado para lavar dinheiro. A empresa franqueadora, por sua vez, afirmou que não realizava auditoria fiscal de seus franqueados.

As suspeitas sobre a loja fizeram parte do conjunto de apurações financeiras relacionado ao caso das rachadinhas. É importante observar que elas não resultaram em condenação criminal do senador.

Compra e venda de imóveis: lucros, pagamentos em espécie e suspeitas

As operações imobiliárias de Flávio também foram alvo de questionamentos do Ministério Público.

Investigações e reportagens identificaram uma série de compras e vendas de imóveis realizadas pelo parlamentar entre 2005 e 2018. Em diferentes períodos, ele adquiriu salas comerciais e apartamentos no Rio de Janeiro, incluindo propriedades em bairros valorizados da cidade.

Em 2019, o Ministério Público do Rio apontou indícios de lavagem de dinheiro em transações realizadas entre 2010 e 2017 e solicitou a quebra de sigilos bancário e fiscal.

Uma das operações examinadas envolveu dois imóveis em Copacabana. Segundo os investigadores, Flávio e sua então mulher teriam pago R$ 638,4 mil em dinheiro vivo, além dos valores formalizados nas escrituras. Os imóveis foram posteriormente vendidos por valor declarado de aproximadamente R$ 1,1 milhão.

O Ministério Público também questionou transações imobiliárias que teriam proporcionado ao parlamentar lucros expressivos em um intervalo relativamente curto.

Em outra frente, o Ministério Público Federal apontou indícios de irregularidades em operações envolvendo imóveis em Laranjeiras, Copacabana e outros bairros. Entre os pontos levantados estavam possíveis subavaliações d

Sobre Redação

Editor-chefe

Leia Também no JF Diário

Cidade, Região

6ª Companhia Especial de Operações Aéreas será inaugurada em Juiz de Fora

Por Redação
11/09/2026
Esportes, Negócios & Economia

Rodada do campeonato brasileiro é marcada por protestos contra o fim das bets

Por Nathan Marcelino
08/10/2026
Eleições 2026, Exclusivo, Política

EXCLUSIVO: Eduardo Girão confirma ao JF Diário que Romeu Zema participará de debate presidencial da Globo

Por Redação
30/09/2026