Candidatos de Juiz de Fora que disputam vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais começaram a campanha eleitoral de 2026 com diferenças expressivas no volume de dinheiro disponível. Enquanto algumas candidaturas já ultrapassam R$ 2 milhões em recursos, principalmente por meio de repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), outras declararam valores inferiores a R$ 100 mil — e há candidatos que ainda não registraram receitas.
Os dados constam da prestação de contas eleitoral divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e podem sofrer alterações conforme as campanhas recebem novos recursos e atualizam as informações.
Entre os candidatos de Juiz de Fora à Câmara dos Deputados, Ana Pimentel (PT) aparece com uma das maiores receitas declaradas até o momento. Candidata à reeleição e integrante da Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV), ela registra R$ 2.875.600 em recursos.
A maior parte desse dinheiro tem origem no próprio partido. A direção nacional do PT destinou R$ 2.830.500 à campanha, valor equivalente a aproximadamente 98,4% de toda a receita declarada pela candidata.
Na mesma federação, Wadson Ribeiro (PCdoB) registra R$ 2,21 milhões. A maior parte também veio do fundo eleitoral, por meio da direção nacional do partido.
A diferença de recursos aparece inclusive entre candidatos do mesmo campo partidário. Marilda Simeão (PT), por exemplo, declarou R$ 71.030 em receitas, valor muito inferior ao registrado por Ana Pimentel. A maior parte do montante de Marilda também veio da direção nacional do PT.
PL concentra campanhas com volumes diferentes
Entre os candidatos do Partido Liberal, os valores também apresentam uma diferença significativa.
A Delegada Ione, que busca a reeleição para a Câmara dos Deputados, registra R$ 2.596.387. Desse total, R$ 2,59 milhões foram repassados pela direção nacional do PL.
Já o ex-vereador e ex-deputado federal Charlles Evangelista declarou R$ 1.533.127,89. A maior parcela, R$ 1,49 milhão, também veio da direção nacional do partido. Ele registra ainda R$ 30 mil em recursos próprios, R$ 10.127,89 da direção estadual e R$ 3 mil em doação de pessoa física.
Na outra ponta do PL está o vereador Sargento Mello-Casal, que declarou R$ 424 mil. São R$ 290 mil da direção nacional, R$ 80 mil da direção estadual e R$ 54 mil de uma doação de pessoa física.
Os números mostram que o volume de recursos destinados pelas legendas não é uniforme nem mesmo entre candidatos de uma mesma sigla.
O ex-vereador Vagner de Oliveira (MDB) declarou R$ 212.250, integralmente provenientes da direção nacional do partido.
Angela Cristina (Republicanos) registra R$ 179.123, sendo R$ 100 mil da direção nacional e R$ 79.123 da direção estadual.
Chafic Lays (Solidariedade) soma R$ 98.579,45, enquanto Gabriel Serpa Motoboy (Novo) declarou R$ 22.100.
Ainda entre os candidatos à Câmara, Ely Machado (PSDB) registra R$ 30.100, enquanto Alex Fontoura (Mobiliza) declarou apenas R$ 140 em recursos próprios.
Disputa pela Assembleia também tem diferença milionária
Na disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o cenário de concentração de recursos se repete.
A Delegada Sheila (PL) registra R$ 1.020.426,67. A maior parte, R$ 995 mil, foi repassada pela direção nacional do partido.
Também pelo PL, a vereadora Roberta Lopes declarou R$ 773.191,62, sendo R$ 660 mil provenientes da direção nacional e aproximadamente R$ 113 mil da direção estadual.
Entre os candidatos do PT, o deputado estadual Betão registra R$ 454.675, enquanto a vereadora Laiz Perrut declarou R$ 401.068,57.
No caso de Betão, R$ 265.500 vieram da direção nacional do PT e R$ 125 mil foram declarados como recursos próprios.
Laiz recebeu R$ 367.328,57 da direção nacional do partido, além de recursos próprios e doações de pessoas físicas. A candidata também registra uma doação de R$ 4 mil da campanha de Ana Pimentel.
Há candidaturas com menos de R$ 100 mil
A diferença fica ainda maior entre candidatos que contam com valores abaixo de R$ 100 mil.
O vereador Tiago Bonecão (O Democrata) declarou R$ 67 mil, sem registro de repasse partidário até o momento. Desse total, R$ 20 mil são recursos próprios e o restante corresponde a doações de pessoas físicas.
Henrico Barboza de Moura (PT) soma R$ 139.543, enquanto Dr. Antônio Aguiar (União Brasil) registra R$ 170.600.
No PSB, Noraldino Júnior aparece com R$ 548.501, enquanto Carlinha declarou R$ 12 mil. O candidato Professor Bruno, da mesma legenda, ainda não registra recursos recebidos na prestação de contas consultada.
Drácula (Agir) declarou R$ 10 mil, provenientes da direção nacional do partido. Já Henrique Ferreira (PP) registra R$ 20 mil, também integralmente repassados pela direção nacional.
Fundo eleitoral é principal fonte dos maiores valores
Os dados mostram que, entre as campanhas com maiores receitas, os recursos públicos destinados pelos partidos por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha representam parcela significativa — e, em alguns casos, quase a totalidade do dinheiro disponível.
Nas campanhas com receitas menores, por outro lado, aparecem com maior frequência recursos próprios e doações de pessoas físicas, além de repasses partidários de menor valor.
A legislação eleitoral permite que partidos distribuam recursos do fundo eleitoral entre seus candidatos, seguindo as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Os valores declarados pelas campanhas, entretanto, podem aumentar ou sofrer alterações até o encerramento da prestação de contas.
Por isso, o levantamento representa um retrato parcial das receitas declaradas até o momento, e não o valor final que cada candidato terá disponível durante toda a campanha.
Os dados foram consultados no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).