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Saúde

Saúde mental masculina: por que tantos homens sofrem em silêncio?

Por Redação
Publicado em 29/10/2026
às 20:39
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A pressão para ser forte o tempo todo pode fazer com que muitos homens escondam o que sentem e demorem a procurar ajuda. Dados mostram que eles representam a maioria das mortes por suicídio no Brasil.

“Homem não chora”, “você precisa ser forte” e “resolva seus problemas sozinho”. Frases como essas ainda fazem parte da vida de muitos homens. Desde a infância, eles são ensinados a controlar as emoções, evitar demonstrar fragilidade e enfrentar as dificuldades sem pedir ajuda. O problema é que essa cobrança pode fazer com que muitos sofram em silêncio.

Sentir tristeza, medo, insegurança ou solidão faz parte da experiência humana. Mesmo assim, alguns homens têm dificuldade para falar sobre o que estão passando, seja por vergonha, medo de julgamentos ou receio de parecerem fracos diante da família, dos amigos e dos colegas de trabalho.

A psicóloga Carla Guimarães (CRP 04/71214) chama a atenção para essa realidade e explica como a maneira de enxergar a masculinidade pode influenciar a relação dos homens com as próprias emoções.

“Desde cedo, muitos homens aprendem que precisam ser fortes, controlar as emoções, resolver os próprios problemas e evitar demonstrar vulnerabilidade. Chorar, admitir o medo ou reconhecer que não estão bem ainda são atitudes que, em muitos contextos, são interpretadas como sinais de fraqueza”, afirma Carla.

Segundo a psicóloga, quando um homem se acostuma a esconder o que sente, pode ter mais dificuldade para perceber que precisa de ajuda. Em vez de conversar sobre os problemas, ele pode acabar se isolando e tentando lidar sozinho com situações que provocam sofrimento.

Os homens são maioria nas mortes por suicídio

Os números ajudam a mostrar por que a saúde mental masculina precisa ser discutida com mais atenção. Um boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em 2024, registrou mais de 15,5 mil mortes por suicídio no Brasil em 2021. Os homens representaram 77,8% dos casos.

Em 2022, segundo dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a taxa de mortalidade por suicídio foi de 13,1 por 100 mil homens, enquanto entre as mulheres ficou em 3,4 por 100 mil.

Esses dados não significam que todos os homens enfrentem os problemas da mesma maneira, nem que o sofrimento emocional seja exclusivo de um grupo. Mas mostram uma diferença importante, que precisa ser compreendida a partir de vários fatores, incluindo as dificuldades para expressar sentimentos e procurar apoio.

“Embora existam diferentes fatores envolvidos nessa diferença, as barreiras para expressar o sofrimento e buscar apoio podem contribuir para agravar situações de vulnerabilidade”, destaca Carla.

Dificuldades financeiras, problemas no trabalho, conflitos familiares, términos de relacionamento e isolamento social também podem pesar na saúde mental. Quando essas situações se acumulam e a pessoa não encontra espaço para falar sobre o que está vivendo, fica ainda mais importante buscar apoio.

Ser forte não é dar conta de tudo sozinho

A ideia de que o homem precisa resolver tudo por conta própria pode tornar mais difícil reconhecer os próprios limites. Em alguns casos, admitir que está passando por um momento complicado parece mais difícil do que continuar tentando suportar a situação.

Mas pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Conversar com alguém de confiança, procurar um psicólogo ou buscar atendimento médico são atitudes que podem ajudar a enfrentar momentos difíceis.

“Ser forte não deveria significar suportar tudo sozinho. Um homem pode sentir medo, tristeza, insegurança e solidão. Pode precisar de acolhimento, de uma conversa sincera ou de acompanhamento psicológico. Nada disso diminui sua força ou seu valor”, afirma a psicóloga.

Para Carla, é importante que os homens encontrem ambientes em que possam falar sobre o que sentem sem serem alvo de piadas ou julgamentos. Isso vale para as relações familiares, as amizades e também para o ambiente de trabalho.

Na prática, ouvir sem minimizar o problema, evitar frases como “isso é frescura” e levar a sério quando alguém diz que não está bem são atitudes que podem fazer diferença. Nem sempre é preciso ter uma resposta pronta: demonstrar disponibilidade para conversar já pode ser um começo.

Como perceber que é hora de procurar ajuda?

Nem sempre o sofrimento aparece em forma de tristeza ou choro. Algumas pessoas percebem mudanças no sono, no apetite, no humor ou na disposição para realizar atividades que antes faziam parte da rotina.

Irritabilidade frequente, ansiedade, cansaço persistente, afastamento de amigos e familiares e perda de interesse por coisas de que a pessoa gostava também merecem atenção, principalmente quando esses sinais duram muito tempo ou começam a prejudicar a vida pessoal e profissional.

Essas mudanças não significam necessariamente que exista um transtorno mental, mas podem indicar que é hora de conversar com um profissional de saúde.

No Sistema Único de Saúde (SUS), é possível procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para receber orientação sobre o atendimento adequado.

Em situações de emergência, a pessoa deve procurar uma UPA ou um pronto-socorro. O SAMU pode ser acionado pelo telefone 192. Para quem precisa conversar e receber apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo número 188, 24 horas por dia.

Falar sobre o que sente também é cuidar de si

Mudar a relação dos homens com a saúde mental passa por questionar a ideia de que demonstrar emoções é incompatível com a força. Ninguém precisa esperar chegar ao limite para reconhecer que está enfrentando dificuldades.

“Precisamos construir uma cultura em que os homens possam falar sobre o que sentem sem medo de julgamentos, reconhecer seus limites sem vergonha e procurar ajuda antes que o sofrimento se torne insuportável”, defende Carla Guimarães.

A psicóloga lembra que aprender a pedir ajuda pode ser tão importante quanto aprender a enfrentar os desafios da vida.

“Nenhum homem deveria precisar chegar ao limite para perceber que merece cuidado”, conclui.

Psicóloga: Carla Guimarães — CRP 04/71214

Contato: WhatsApp: (32) 99842-1999

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