Protesto é aprovado pela maioria dos clubes brasileiros
Neste meio de semana, na rodada desta quarta e quinta-feira, os clubes se organizam para protestar contra a medida provisória do fim das bets no Brasil. Nos jogos desta rodada, então exibidas frases contra a medida nas placas de patrocínio – que ficam nas laterais e na linha de fundo do campo –, como “proibir não é proteger” e “quem lucra com as bets ilegais?”. O protesto é liderado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias e recebe aval dos clubes brasileiros.
Outros clubes planejam protestos independentes. O Flamengo, por exemplo, deve estampar em sua camisa a frase “proibir não é proteger”, a mesma sinalizada nas placas de patrocínio, em jogo contra o Santos nesta quinta. Outro clube que irá protestar, mas de forma mais velada, é o Fluminense. O Tricolor irá estampar no patrocínio a marca “Superscore”, uma companhia de monitoramento de estatísticas esportivas vinculada à Superbet, empresa de apostas que patrocina o clube das Laranjeiras com contrato de 86 milhões de reais de forma anual até 2029.
Entenda o caso
A Medida Provisória 1.394/2026, sancionada pelo governo Lula, proibiu em todo o país a publicidade de loterias de apostas esportivas, as famosas bets. A medida causa insatisfação na diretoria da maioria dos clubes brasileiros, que recebiam patrocínios de altos valores das empresas de apostas. O presidente do Flamengo, por exemplo, estima uma perda de cerca de 400 milhões de reais nos cofres do clube para 2027, e outros clubes, como Fluminense, Atlético Mineiro, Botafogo, entre outros, também calculam prejuízos financeiros. Atualmente, dos 20 clubes da Série A, 14 possuem patrocínios ligados a casas de apostas esportivas, mercado que saiu do ar no Brasil nesta segunda-feira, 6, e, de acordo com o governo federal, ainda possuem pendências calculadas em 1,325 bilhão de reais para cerca de 26 milhões de apostadores. O governo ainda informa que os bancos devem restituir esse valor até a próxima quarta-feira, 14.
Bets causam vício e dependência
O mercado das bets no Brasil movimentava milhões diariamente. De acordo com o portal ICL Notícias, as apostas possuíam um fluxo médio de 650 milhões de reais por dia em diversas plataformas. A aprovação das bets em território nacional aconteceu em dezembro de 2018, e teve o mercado regularizado apenas em 2023. De acordo com a Agência Brasil, apenas em 2025, 62 bilhões de reais foram perdidos em apostas nas plataformas regularizadas pelo governo federal. O vício em apostas online, chamado de ludopatia, é um transtorno de saúde mental classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Existem canais de tratamento para dependentes em apostas, como o Disque 136, da ouvidoria do SUS, que oferece acolhimento nas Unidades Básicas de Saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial.