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Tarifa dos ônibus congelada desde 2019: o papel dos subsídios da gestão Margarida Salomão e futuro do transporte em JF

Por Redação
Publicado em 07/10/2026
às 07:49
Foto: PJF.

A passagem de ônibus de Juiz de Fora custa atualmente R$ 3,75, exatamente o mesmo valor cobrado desde novembro de 2019. Ou seja, para quem paga a tarifa integral, não houve aumento nominal da passagem durante toda a gestão da prefeita Margarida Salomão, do Partido dos Trabalhadores (PT).

O congelamento da tarifa não significa, entretanto, que o custo de operação do transporte coletivo tenha permanecido igual. Combustível, salários, manutenção dos veículos, peças e demais despesas do sistema aumentaram ao longo dos anos.

A diferença passou a ser parcialmente coberta pelo poder público por meio da política de subsídios ao transporte coletivo, adotada e ampliada durante a administração Margarida Salomão. Na prática, a Prefeitura passou a colocar recursos públicos no sistema para evitar que a elevação dos custos fosse transferida diretamente para os passageiros.

Assim, enquanto o custo de manutenção do serviço aumentou, o valor desembolsado pelo passageiro que paga a tarifa convencional permaneceu em R$ 3,75.

A política ganhou importância principalmente a partir de 2021, primeiro ano do mandato de Margarida Salomão como prefeita. Os subsídios passaram a funcionar como um mecanismo de compensação entre o valor necessário para manter o sistema funcionando e aquilo que é efetivamente arrecadado na catraca.

O que isso significa para quem anda de ônibus?

A diferença pode ser percebida quando se compara a evolução da tarifa com a dos custos do sistema. Em 2016, a passagem custava R$ 2,75. Em 2017, passou para R$ 3,10; em 2018, para R$ 3,35; e, finalmente, em novembro de 2019, chegou aos atuais R$ 3,75.

Desde então, não houve novo reajuste da tarifa paga pelo passageiro.

Portanto, entre 2019 e 2026, a passagem ficou congelada em R$ 3,75, apesar da inflação acumulada e da elevação dos custos envolvidos na operação do transporte coletivo.

Esse resultado está diretamente relacionado à decisão da administração municipal de utilizar recursos públicos para subsidiar o sistema. É uma escolha de política pública: em vez de repassar integralmente os custos para quem utiliza o ônibus, parte da conta é assumida pelo município.

A conta mudou de lugar

O congelamento da tarifa produz uma consequência importante: a conta do transporte não desaparece; parte dela muda de lugar.

Quando a tarifa não acompanha o aumento dos custos, a diferença precisa ser coberta por outras fontes. Em Juiz de Fora, uma dessas fontes são os recursos públicos destinados ao sistema de transporte coletivo.

É por isso que a análise da passagem não pode considerar apenas os R$ 3,75 pagos na catraca.

Para o usuário, o preço da viagem permaneceu estável desde 2019. Para os cofres públicos, entretanto, a manutenção dessa tarifa representou a necessidade de destinar valores cada vez maiores ao transporte.

A política implementada durante a gestão Margarida Salomão também se soma a outras medidas de redução do custo para determinados usuários. Desde 2023, por exemplo, os ônibus são gratuitos aos domingos e feriados nacionais. Em 2025, também foi instituído o Passe Livre Estudantil para estudantes da rede pública.

Dessa forma, a política de transporte da administração do PT combinou duas frentes: manutenção da tarifa convencional em R$ 3,75 por meio de subsídios e criação/ampliação de situações de gratuidade.

Quanto o passageiro deixou de pagar?

Considerando apenas a evolução nominal da tarifa, o congelamento representa uma diferença significativa para quem utiliza o transporte diariamente.

Se a passagem tivesse acompanhado apenas a inflação desde novembro de 2019, o valor atual seria superior aos R$ 3,75 pagos hoje. O cálculo exato, porém, depende do índice utilizado e não representa necessariamente qual seria a tarifa tecnicamente necessária para financiar o sistema.

O que pode ser afirmado objetivamente é mais simples: o passageiro não teve nenhum reajuste da tarifa desde 2019.

Para uma pessoa que utiliza dois ônibus por dia durante 22 dias úteis, a despesa mensal permanece em: 44 viagens × R$ 3,75 = R$ 165.

Uma política que tem impacto direto no bolso

A principal mudança dos últimos anos, portanto, não está no preço estampado na tarifa, mas na forma de financiar o transporte.

A gestão Margarida Salomão, do PT, manteve a passagem em R$ 3,75 desde 2019 e utilizou subsídios municipais para ajudar a sustentar o sistema sem transferir integralmente para os passageiros a alta dos custos de operação.

Para quem depende diariamente do transporte coletivo, o efeito é direto: o preço da passagem permanece o mesmo há quase sete anos.

Para o município, por outro lado, significa assumir uma parcela maior da conta por meio do orçamento público.

É justamente essa relação, entre o preço pago pelo passageiro e o dinheiro público utilizado para manter a tarifa, que ajuda a explicar por que a passagem de ônibus em Juiz de Fora continua custando R$ 3,75 mesmo após anos de inflação e aumento dos custos do transporte.

Nova licitação está suspensa e concessão atual foi prorrogada

A discussão sobre o preço da passagem também está diretamente ligada ao futuro do transporte coletivo de Juiz de Fora. A Prefeitura pretendia substituir o atual modelo por uma nova concessão, com duração de 15 anos e valor estimado em aproximadamente R$ 7,36 bilhões.

O processo, porém, entrou em um imbróglio no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).

Em abril de 2026, o Tribunal determinou a suspensão cautelar da Concorrência nº 29/2025. Entre os problemas apontados estavam inconsistências nos estudos econômico-financeiros, questões relacionadas à bilhetagem e exigências do edital. Para o TCE-MG, as falhas poderiam comprometer a transparência, a segurança jurídica e a viabilidade econômica da futura concessão.

A Prefeitura recorreu da decisão, mas o recurso foi rejeitado pelo Pleno do TCE-MG em julho. Com decisão unânime, o Tribunal manteve a suspensão da licitação até que os problemas identificados fossem corrigidos.

Prefeitura prorroga contrato atual

Com a nova licitação paralisada e o contrato vigente chegando ao fim, a Prefeitura de Juiz de Fora prorrogou, em 1º de setembro de 2026, a concessão do transporte coletivo por até 12 meses.

Com a medida, o Consórcio Via JF, formado pela Ansal e pela Viação São Francisco, continua responsável pela operação dos ônibus da cidade.

A prorrogação foi adotada para garantir a continuidade do serviço enquanto a nova concessão não é concluída. O prazo de 12 meses funciona como limite máximo: caso a nova licitação seja concluída antes, a transição para o novo sistema poderá ocorrer antecipadamente.

O processo atual, portanto, permanece provisório. A cidade continua com o sistema existente enquanto Prefeitura e TCE-MG discutem as adequações necessárias para que a nova concorrência possa avançar.

A nova licitação pode aumentar a passagem?

No momento, o projeto da nova concessão prevê tarifa de R$ 3,75, exatamente o valor atualmente pago pelo passageiro. O modelo divulgado pela Prefeitura prevê uma tarifa única e integração entre linhas de bairro e linhas expressas sem cobrança adicional dentro de determinado período.

Isso, porém, não significa que R$ 3,75 ficará necessariamente congelado durante os 15 anos da nova concessão.

A legislação municipal estabelece que a tarifa deve preservar o equilíbrio econômico-financeiro da operação e determina que reajustes respeitem um intervalo mínimo de 12 meses. Também existem mecanismos de revisão tarifária quando alterações relevantes nos custos ou nas condições do contrato provocam desequilíbrio econômico-financeiro.

Na prática, isso significa que a nova licitação pode começar com tarifa de R$ 3,75, mas reajustes futuros poderão ocorrer conforme as regras previstas no contrato e na legislação.

O valor inicial, portanto, não deve ser confundido com uma promessa de tarifa congelada por 15 anos.

O que muda com a nova concessão?

A proposta do chamado Novo Transporte Público prevê uma reorganização do sistema, com linhas expressas e linhas de bairro, integração entre os serviços e mudanças na operação.

Um dos argumentos apresentados pela Prefeitura é que o novo modelo poderá melhorar a eficiência do sistema e reduzir a necessidade de complementação financeira do município. Em audiência pública realizada em 2025, a administração municipal informou que o modelo tinha custo estimado em cerca de R$ 40 milhões por mês, valor que poderia ser reduzido durante o processo licitatório.

A nova concessão também representa uma mudança importante na forma como o transporte será financiado.

Hoje, a tarifa de R$ 3,75 é mantida com participação de recursos públicos. A nova licitação deverá estabelecer uma nova equação entre tarifa paga pelo passageiro, receitas do sistema, subsídios públicos, custos de operação e remuneração da empresa concessionária.

Por isso, a eventual redução ou aumento da necessidade de subsídio poderá ter impacto direto nas contas públicas e, no futuro, na própria tarifa.

O que o passageiro pode esperar?

Por enquanto, o cenário é de R$ 3,75 na catraca.

A tarifa permanece nesse valor desde 2019, enquanto a Prefeitura mantém subsídios para ajudar a financiar o sistema. A nova licitação, quando finalmente for destravada, também parte de uma tarifa prevista de R$ 3,75.

Mas existe uma diferença importante: o congelamento atual não deve ser confundido com congelamento futuro.

A nova concessão terá mecanismos de reajuste e revisão tarifária. Assim, se o contrato for mantido nos moldes previstos, o passageiro poderá continuar pagando R$ 3,75 no início do novo sistema, mas a tarifa poderá ser atualizada posteriormente de acordo com as regras contratuais e a legislação.

A questão que permanece em aberto é justamente quanto o novo modelo custará aos cofres públicos e aos usuários ao longo dos 15 anos de concessão.

Enquanto o TCE-MG analisa as correções feitas pela Prefeitura, a cidade segue no modelo atual. A prorrogação por até 12 meses evita uma interrupção do serviço, mas também prolonga uma situação que deveria ser transitória: um sistema cuja tarifa para o passageiro está congelada em R$ 3,75 desde 2019 e cuja operação depende de uma combinação entre arrecadação tarifária e recursos públicos.

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