Cerca de 65 servidores da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) teriam ficado sem receber corretamente os salários, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu). Diante dos problemas na folha de pagamento, a entidade convocou uma assembleia para a próxima segunda-feira (5), quando a categoria poderá decidir pela realização de uma paralisação de 48 horas.
A reunião está marcada para as 9h, em primeira convocação, e 9h30, em segunda chamada, na sede do Sinserpu, localizada na Rua São Sebastião, 780, no Centro. O encontro ocorrerá um dia após o primeiro turno das eleições gerais deste domingo (4).
De acordo com o sindicato, os problemas nos vencimentos têm se repetido e provocado prejuízos financeiros aos trabalhadores. A entidade afirma que a situação chegou a um novo ponto de tensão após aproximadamente 65 servidores identificarem irregularidades ou ausência de pagamento na folha mais recente.
O Sinserpu também cita um episódio ocorrido há cerca de um mês, quando 42 trabalhadores do Hospital de Pronto-Socorro (HPS) apontaram problemas nos pagamentos referentes ao mês de agosto. Na ocasião, os valores foram posteriormente corrigidos pela Prefeitura depois que os servidores anunciaram a possibilidade de paralisação.
Na convocação da assembleia, o sindicato afirma que pretende discutir medidas diante da recorrência dos problemas e avaliar a interrupção das atividades por 48 horas. A entidade também declarou que considera a situação urgente e convocou servidores da administração direta e indireta do município.
Entre os trabalhadores chamados para participar estão servidores de órgãos como Funalfa, Demlurb, Procon e Museu Mariano Procópio.
Caso a paralisação seja aprovada, a previsão apresentada pelo sindicato é de manutenção de 30% do efetivo nos serviços considerados essenciais, conforme as regras legais aplicáveis às greves no serviço público.
Prefeitura diz trabalhar para regularizar pagamentos
Em manifestação divulgada na quinta-feira (1º), a Prefeitura de Juiz de Fora afirmou que está atuando para eliminar as ocorrências relacionadas ao pagamento da folha salarial.
Segundo o Executivo, também permanecem abertos os canais de diálogo com os servidores.
A manifestação da Prefeitura ocorre em meio à pressão do sindicato, que cobra a regularização dos pagamentos e medidas para evitar que novos trabalhadores sejam afetados por problemas na folha.
Ex-servidores também cobram verbas rescisórias
A insatisfação não está restrita aos servidores que permanecem trabalhando para o município. Na quinta-feira (1º), profissionais contratados temporariamente para atuar na área de enfermagem realizaram um protesto em Juiz de Fora para cobrar o pagamento de verbas rescisórias.
Os trabalhadores relatam que aguardam há meses valores relacionados ao encerramento de contratos com duração de um ano.
A mobilização, organizada de forma independente, resultou em um compromisso da Prefeitura para que os pagamentos sejam realizados de forma parcelada. Conforme informou o enfermeiro Anderson Mateus, representante do movimento, a previsão apresentada é de que os valores sejam quitados em lotes ao longo de outubro, novembro e dezembro de 2026.
Os episódios envolvendo servidores ativos e ex-contratados colocam os pagamentos feitos pela administração municipal no centro das cobranças dos trabalhadores neste início de outubro.