Na noite última terça-feira, 2, a Polícia Militar realizou uma operação após receber uma denúncia contra um suposto crime de estelionato, na Rua São Mateus, bairro de nome homônimo, na zona central de Juiz de Fora. A equipe do JF Diário entrou em contato com uma fonte anônima, uma vítima do suposto golpe, que detalhou como a suposta fraude operava.
Atualizado: 04/09/2026, às 11h20.
Um grupo suspeito de aplicar um golpe envolvendo falso agenciamento de modelos foi detido pela Polícia Militar (PM) na tarde de quarta-feira (2), no bairro São Mateus, na região central de Juiz de Fora. A ocorrência teve início após uma das vítimas acionar a polícia e denunciar a suposta fraude. A denúncia foi revela em primeira mão pelo jornalismo do JF Diário.
Segundo informações do boletim de ocorrência, 12 pessoas foram presas em flagrante. Ao todo, 18 possíveis vítimas foram identificadas, sendo que, em cinco situações, os policiais constataram que o golpe teria sido efetivamente consumado.
A suspeita é de que o grupo atraía principalmente mulheres com mais de 50 anos com a promessa de oportunidades profissionais na área de publicidade e modelagem. Os supostos recrutadores ofereciam cachês que poderiam chegar a R$ 9 mil, com a promessa de liberação do pagamento no mesmo dia.
Para concluir os contratos, no entanto, as interessadas precisariam pagar valores referentes a serviços como assessoria de imagem ou produção. De acordo com a PM, as quantias cobradas variavam entre R$ 4,2 mil e R$ 9 mil.
Durante a ocorrência, os policiais identificaram R$ 17,3 mil em quatro transações eletrônicas realizadas por meio de máquinas de cartão utilizadas pelo grupo.
Relato de vítima
Uma mulher que esteve no local e preferiu não se identificar relatou ao JF Diário como teria ocorrido a abordagem. Segundo ela, o primeiro contato aconteceu por meio de uma mensagem com um convite para uma suposta oportunidade de emprego em uma agência de publicidade.
A mulher estranhou a abordagem porque não havia se cadastrado para vagas na área. Os responsáveis pelo contato teriam afirmado que ela havia sido indicada por terceiros. Mesmo desconfiada, ela decidiu comparecer ao endereço informado, na Rua São Mateus.
De acordo com o relato, havia cerca de 30 mulheres no local, muitas delas com idade superior a 40 anos. As participantes receberam formulários com perguntas relacionadas a dados pessoais e também sobre quanto estariam dispostas a investir para impulsionar uma eventual carreira no ramo publicitário.
Ainda segundo a fonte, uma das mulheres teria chegado a pagar aproximadamente R$ 9 mil pelo suposto serviço.
As participantes permaneceram no local por horas aguardando um retorno dos responsáveis pelo processo. Em determinado momento, os supostos recrutadores informaram que o sistema da empresa havia apresentado problemas.
A desconfiança aumentou quando uma das participantes teria percebido uma pessoa utilizando um computador depois de os responsáveis afirmarem que o sistema estava fora do ar.
A vítima também afirmou que a postura da equipe durante os questionamentos levantou suspeitas sobre a legitimidade da empresa.
“Eles não se defenderam quando foram questionados, apenas falaram que, se quisessem, as pessoas podiam ir embora”, relatou.
Polícia Civil vai investigar
A PM foi acionada após uma denúncia e conduziu os suspeitos. A Polícia Civil ficará responsável pelas investigações para esclarecer a participação de cada envolvido e verificar a extensão do suposto esquema.
O JF Diário tentou obter mais informações diretamente com a Polícia Militar sobre a ocorrência e a condução dos suspeitos, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
A equipe também entrou em contato com um dos sócios do espaço onde a reunião acontecia. Ele afirmou que seria responsável apenas pela estrutura física do imóvel e que não teria conhecimento sobre o conteúdo das reuniões realizadas no local.