Decisão permite que o implante contraceptivo seja utilizado por mais dois anos e também autoriza a inserção imediatamente após o parto ou aborto
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou de três para cinco anos o período de eficácia contraceptiva do Implanon NXT, implante hormonal utilizado para prevenir a gravidez. A decisão foi aprovada na segunda-feira (26) e publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Com a mudança, o mesmo dispositivo poderá permanecer no organismo por até cinco anos, reduzindo a necessidade de procedimentos para a troca do implante. A medida foi autorizada após a análise de estudos clínicos que demonstraram a manutenção da eficácia contraceptiva e um perfil de segurança favorável durante o quarto e o quinto anos de uso.
Segundo a Anvisa, o principal estudo apresentado à agência não registrou gestações durante o período adicional de utilização, reforçando as evidências de que o método mantém a proteção contra a gravidez por até cinco anos.
A atualização consta na Resolução RE nº 4.184/2026.
Anvisa também libera aplicação após parto ou aborto
Além de ampliar o prazo de uso, a Anvisa autorizou a inserção do Implanon imediatamente após o parto ou o aborto, incluindo casos de interrupção da gestação no primeiro e no segundo trimestres.
De acordo com a agência, a medida busca facilitar o acesso à contracepção e reduzir o risco de gestações não planejadas após a alta hospitalar, quando algumas pacientes podem não retornar aos serviços de saúde para iniciar um método contraceptivo.
A autorização considerou evidências científicas e dados de farmacovigilância avaliados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). A análise apontou que a relação entre os benefícios e os riscos do método continua favorável nessa condição de uso.
Como funciona o Implanon?
O Implanon é um pequeno bastão flexível inserido sob a pele do braço por um profissional de saúde habilitado. O dispositivo libera continuamente o etonogestrel, um hormônio sintético da classe dos progestagênios.
O hormônio atua principalmente impedindo a ovulação e tornando o muco do colo do útero mais espesso, o que dificulta a passagem dos espermatozoides. Por isso, o implante é considerado um método contraceptivo de longa duração, que não depende da lembrança diária de tomar um medicamento.
A colocação é realizada com anestesia local. O dispositivo pode ser retirado por um profissional habilitado, inclusive antes do fim do período de uso, caso a paciente deseje interromper o método ou exista indicação clínica.
Quem já usa o implante será beneficiada?
A ampliação do prazo também interessa a quem já utiliza o Implanon. A nova indicação permite considerar o período de até cinco anos, mas a permanência do dispositivo deve ser discutida com um profissional de saúde, que poderá orientar a paciente conforme as condições clínicas e a data de inserção.
Quem está perto de completar três anos de uso deve procurar o serviço de saúde responsável pelo acompanhamento para receber orientações sobre a nova recomendação e evitar a troca antecipada sem necessidade.
Implanon no SUS
O implante contraceptivo foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025. A oferta gratuita depende da organização da rede pública e da disponibilidade do método em cada município.
Quem deseja utilizar o Implanon pelo SUS pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientações sobre os métodos contraceptivos disponíveis, passar por avaliação profissional e verificar como funciona o acesso na cidade.
É importante lembrar que o Implanon previne a gravidez, mas não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para reduzir o risco dessas infecções, é necessário utilizar preservativos.
A ampliação aprovada pela Anvisa representa uma mudança nas condições de uso do contraceptivo, com potencial para diminuir a frequência de trocas e ampliar as possibilidades de planejamento reprodutivo.