Decisão de Cristiano Zanin ampliou o horário de votação em todo o Brasil; no município, equipamentos começaram a ser encaminhados ao cartório eleitoral antes da divulgação da medida
Por Redação JF Diário
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender até as 19h o horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 provocou dúvidas sobre a aplicação da medida em Juiz de Fora. Quando a determinação foi anunciada neste domingo (25), urnas eletrônicas do município já haviam sido encerradas e encaminhadas à Justiça Eleitoral.
De acordo com informações apuradas pela Tribuna de Minas, os equipamentos começaram a chegar ao Cartório Eleitoral de Juiz de Fora, localizado na Rua Santo Antônio, por volta das 17h29. A movimentação ocorreu após o encerramento previsto inicialmente para as 17h.
Naquele momento, representantes da Justiça Eleitoral ouvidos pelo jornal informaram que ainda não haviam recebido uma comunicação oficial determinando mudanças nos procedimentos locais.
Por que o horário foi prorrogado?
A decisão de Zanin determinou a ampliação do período de votação em todo o território nacional, após questionamentos sobre dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar às seções eleitorais.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Justiça após relatar problemas na oferta de transporte público em diferentes localidades. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também solicitou a extensão do horário em municípios afetados por condições climáticas adversas.
Ao analisar o caso, o ministro considerou urgente a adoção de medidas para assegurar o exercício do direito ao voto e determinou que o recebimento dos votos fosse estendido até as 19h, no horário de Brasília. O cumprimento da decisão ficou a cargo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O que aconteceu em Juiz de Fora?
Durante a chegada das urnas ao cartório eleitoral, o juiz eleitoral Marcelo Alexandre do Valle Thomaz informou, segundo a Tribuna de Minas, que os procedimentos no município continuariam seguindo a programação prevista, uma vez que não havia recebido, até aquele momento, determinação da presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) para adotar medidas diferentes.
O chefe de cartório da 153ª Zona Eleitoral, Eduardo Braga, também relatou que não havia recebido uma comunicação oficial do TRE-MG ou do TSE sobre a prorrogação até o momento da entrevista, realizada por volta das 17h36.
A situação ocorreu em meio a dúvidas sobre como aplicar a decisão nacional em locais onde as urnas já tinham sido encerradas.
Como ficou a situação das urnas já fechadas?
Após o anúncio da prorrogação, surgiram questionamentos sobre a possibilidade de reabrir equipamentos que já haviam sido encerrados e cujos procedimentos de fechamento estavam concluídos.
Em esclarecimento posterior, Cristiano Zanin estabeleceu que a extensão do horário deveria ser aplicada às seções em que a votação ainda não havia sido encerrada. Nas seções com urnas já fechadas, os votos registrados seriam preservados e seguiriam para a totalização normalmente.
A medida buscou orientar a execução da decisão diante das dificuldades operacionais registradas após o anúncio, feito pouco depois das 17h.
O caso evidencia o desafio de implementar uma determinação nacional quando os procedimentos eleitorais já estão em andamento. Para Juiz de Fora, o ponto central passou a ser a situação das urnas no momento da decisão e as orientações posteriormente transmitidas à Justiça Eleitoral.