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Polícia

PF investiga advogado amigo de Flávio Bolsonaro após movimentação de R$ 130 milhões e suspeitas envolvendo casas de apostas

Por Redação
Publicado em 20/10/2026
às 16:19
E-mails apontam conta bancária conjunta entre Flávio Bolsonaro e advogado investigado por lavagem de dinheiro. (Foto: Reprodução/ redes sociais.)

Willer Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Polícia Federal também apura a relação financeira com o senador, incluindo indícios de acesso a uma conta empresarial e possíveis conexões com operações no setor de apostas.

O advogado e empresário Willer Tomaz, apontado como amigo próximo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e possíveis irregularidades relacionadas ao mercado de apostas on-line. Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores foi a movimentação de R$ 130 milhões em uma conta bancária do advogado entre março e maio de 2025.

A investigação também alcança Flávio Bolsonaro. A PF apura se a relação entre o parlamentar e o advogado envolveu vínculos financeiros que possam ter relevância para o caso. Entre os elementos analisados estão mensagens e registros bancários que indicariam uma ligação entre o senador e uma conta de uma empresa associada a Tomaz. Flávio e o advogado negam a existência de relação financeira irregular.

Movimentação de R$ 130 milhões chamou a atenção da PF

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil e pelo UOL, o relatório da Polícia Federal aponta que uma conta pessoal de Tomaz, mantida no banco digital Magnum Bank, movimentou aproximadamente R$ 130 milhões em apenas três meses.

Para os investigadores, o volume financeiro apresenta aparente incompatibilidade com as atividades econômicas conhecidas do advogado e exige aprofundamento sobre a origem e o destino dos recursos.

A apuração identificou transferências entre contas pessoais, empresas relacionadas ao advogado e companhias que atuam no processamento de pagamentos para plataformas de apostas. Em um dos exemplos descritos no material investigativo, valores que ingressaram na conta de Tomaz foram transferidos em parcelas sucessivas para a Foggo Entertainment, empresa responsável pela operação da Blaze no Brasil.

A PF considera que a circulação de dinheiro por diferentes contas e o fracionamento de transferências podem ter dificultado a identificação dos beneficiários finais. Os investigadores também examinam se algumas empresas vinculadas ao advogado possuíam estrutura operacional compatível com os valores movimentados.

A movimentação de R$ 130 milhões é um dos pontos específicos da investigação e não deve ser confundida com o volume bilionário de transações e apostas que também aparece nos documentos analisados pela PF.

Conta bancária e vínculo com Flávio Bolsonaro

O que a investigação apura

Um dos elementos que ampliaram o alcance da investigação foi a descoberta de registros que relacionariam Flávio Bolsonaro a uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e associada a Willer Tomaz.

De acordo com informações divulgadas pelo G1 e pela Folha de S.Paulo, e-mails encontrados pela Polícia Federal indicam que o senador teria sido cadastrado como “usuário master” da conta empresarial, condição que, segundo os investigadores, poderia proporcionar acesso operacional relevante às movimentações financeiras.

A PF também identificou uma solicitação enviada ao banco para retirar o vínculo do parlamentar com a conta em 2025. Os investigadores avaliam se esse acesso pode indicar participação econômica ou societária de fato na empresa.

É importante distinguir os fatos documentados das suspeitas: o cadastro e os e-mails integram os elementos relatados pela imprensa, mas não comprovam, por si só, que Flávio tenha participado de lavagem de dinheiro.

A assessoria do senador negou a existência de conta bancária conjunta com o advogado. Willer Tomaz também contestou as informações e negou a existência de relação financeira irregular.

Suspeita de lavagem de dinheiro por meio de apostas on-line

Outro eixo da investigação envolve as operações de Willer Tomaz na Blaze, plataforma de apostas operada no Brasil pela Foggo Entertainment.

Segundo reportagem do UOL publicada em 18 de outubro, a Polícia Federal investiga cerca de R$ 1,4 bilhão em transações financeiras envolvendo o advogado e a plataforma. Os investigadores suspeitam que apostas e transferências entre contas relacionadas a Tomaz possam ter sido utilizadas para ocultar a origem e o destino de recursos.

A PF também considera a hipótese de que o advogado seja sócio oculto da Blaze, suspeita que ele nega. O valor de R$ 1,4 bilhão se refere ao conjunto de transações investigadas, e não necessariamente ao dinheiro inicialmente investido pelo advogado.

Em documentos apresentados em uma ação judicial contra a plataforma, Tomaz alegou ter sofrido grandes prejuízos com apostas e buscou recuperar valores que afirma ter perdido. A defesa sustenta que ele é cliente da empresa, nega participação societária e rejeita as acusações de irregularidades.

A Foggo Entertainment também negou que Tomaz ou empresas ligadas a ele tenham participação direta ou indireta no capital ou no controle da companhia.

A investigação examina, ainda, possíveis conexões entre empresas ligadas ao advogado e a RioPag, companhia que processava pagamentos de plataformas de apostas credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Os investigadores apuram possíveis irregularidades relacionadas a contratos e procedimentos de licitação no setor.

Flávio Bolsonaro também é alvo de investigação

A relação entre o senador e o advogado levou a Polícia Federal a aprofundar as apurações sobre Flávio Bolsonaro. Conforme reportagens publicadas em 18 de outubro, um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e Tomaz.

Entre os elementos examinados estão registros de proximidade pessoal, viagens, documentos encontrados nos arquivos digitais do advogado e o vínculo atribuído a Flávio com a conta empresarial da Alcazar Holding. A investigação busca esclarecer se esses elementos têm relação com eventuais operações financeiras irregulares.

A PF também investiga despesas de viagens internacionais do senador que teriam sido intermediadas por uma empresa ligada ao advogado. Segundo as informações divulgadas, os investigadores procuram esclarecer a natureza desses pagamentos e se houve algum benefício financeiro relevante para o parlamentar.

Assim, Flávio Bolsonaro é suspeito de possível envolvimento nas irregularidades financeiras investigadas, mas não se pode afirmar que tenha cometido corrupção ou lavagem de dinheiro. A existência de uma investigação não equivale a uma condenação, e a responsabilidade de cada envolvido depende das provas e da conclusão das autoridades competentes.

O que dizem os envolvidos

Willer Tomaz classificou as suspeitas como infundadas e negou ter mantido relação societária, comercial ou profissional com a Blaze. Também contestou os valores atribuídos às transações e afirmou que pretende tomar medidas judiciais diante da divulgação das informações.

A empresa Foggo Entertainment negou vínculo societário com o advogado e declarou não comentar investigações em andamento.

A assessoria de Flávio Bolsonaro negou a existência de conta bancária conjunta com Tomaz. As informações divulgadas sobre a investigação, entretanto, indicam que a PF examina registros de acesso do senador a uma conta empresarial, questão que permanece sob apuração.

Até o momento, os fatos relatados apontam para uma investigação em andamento, com suspeitas envolvendo movimentações financeiras de grande porte, plataformas de apostas e vínculos entre o advogado e o senador. O esclarecimento da origem dos recursos, da finalidade das transferências e da eventual participação de cada investigado será determinante para estabelecer se houve crime.

Fontes: CNN Brasil, UOL, Folha de S.Paulo, G1 e Metrópoles. Reportagem elaborada a partir de informações publicadas até 20 de outubro de 2026. As suspeitas descritas não representam condenação judicial.

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