Juiz de Fora, MG

Sobre o Portal

Anuncie Conosco

Fale Conosco

Jornalismo Independente & Regional

JUIZ DE FORA – ZONA DA MATA MINEIRA

Cultura • Esportes • Entretenimento • Cidade • Política • Negócios

www.jfdiario.com.br

Cultura & Sociedade, Eleições 2026, Política

Cientista político avalia que disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro é marcada por possíveis riscos às conquistas democráticas da Constituição de 1988

Por Redação
Publicado em 19/10/2026
às 21:31
Paulo Roberto Figueira Leal. (Foto: Arquivo pessoal.)

Professor da UFJF avalia que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro é marcada por bases eleitorais consolidadas, alto índice de rejeição e alerta para possíveis riscos às conquistas democráticas da Constituição de 1988

A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais é marcada pela polarização política, pela elevada rejeição aos dois candidatos e pela disputa por eleitores que podem definir o resultado nas urnas. Na avaliação do cientista político Paulo Roberto Figueira Leal, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a decisão também pode depender do comparecimento dos eleitores em diferentes regiões do país.

Em entrevista ao JF Diário, o professor analisou os principais elementos da conjuntura eleitoral e chamou a atenção para um aspecto que, em sua avaliação, recebeu menos espaço do que deveria no debate público: os possíveis impactos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro sobre o pacto constitucional estabelecido com a redemocratização brasileira.

Para Leal, a disputa não deve ser compreendida apenas pela capacidade de cada candidatura de mobilizar seus apoiadores. A rejeição aos adversários e a participação dos eleitores no segundo turno também podem ter peso importante na definição do resultado.

Quem é Paulo Roberto Figueira Leal?

Paulo Roberto Figueira Leal é professor titular da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde atua na graduação e na pós-graduação da Faculdade de Comunicação. É graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre e doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).

Sua trajetória acadêmica inclui pesquisas sobre partidos políticos, eleições, campanhas eleitorais, comunicação política, jornalismo político e relações entre mídia, ideologia e identidades políticas. O docente também integra o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF.

A formação em Jornalismo e Ciência Política, somada à atuação acadêmica em pesquisas sobre eleições e comportamento político, fundamenta sua contribuição para a análise da conjuntura eleitoral brasileira.

Experiência administrativa perde espaço no debate eleitoral

Embora a experiência na administração pública possa ser utilizada como argumento em disputas presidenciais, Paulo Roberto Figueira Leal avalia que esse tema não teve protagonismo na atual campanha.

Segundo o professor, a competitividade de Flávio Bolsonaro, cuja trajetória política não inclui experiência no comando do Poder Executivo, demonstra que outros assuntos ganharam maior relevância na discussão eleitoral.

“Cada campanha eleitoral apresenta certos temas que estruturam o debate público, que são mais salientes, mais mobilizadores. O tema da experiência administrativa não foi um tema com esta magnitude na atual campanha”, analisa.

Na avaliação do cientista político, não há sinais de que a experiência administrativa passe a ocupar o centro da disputa nos últimos dias antes da votação. Ele considera que os temas que estruturaram a campanha até aqui tendem a continuar influenciando o comportamento do eleitorado.

A análise indica que a trajetória dos candidatos, isoladamente, não explica a dinâmica eleitoral. A identificação política, as pautas mobilizadoras e a rejeição também precisam ser consideradas para compreender a disputa.

Sobrenome Bolsonaro mobiliza eleitores, mas também impõe limites

A associação de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro representa, segundo Leal, tanto uma vantagem quanto uma limitação eleitoral. O sobrenome contribui para consolidar uma base de apoiadores, mas também mantém o candidato vinculado a um campo político que enfrenta resistência de parte do eleitorado.

O professor observa que esse fenômeno não se restringe ao candidato do PL. Lula também começa a disputa com uma base de apoio consolidada e enfrenta eleitores que rejeitam sua candidatura.

“Essa é uma campanha que está se caracterizando não apenas por candidaturas que já partem de uma base muito significativamente sólida, como também candidaturas que têm um alto índice de rejeição”, afirma.

Para Leal, a rejeição pode ter um papel tão importante quanto a capacidade de ampliar o apoio eleitoral. Nesse cenário, a disputa não se resume a conquistar novos eleitores, mas também envolve a capacidade de evitar que a resistência ao candidato seja determinante para o voto.

A avaliação ajuda a compreender por que a polarização permanece central no segundo turno: quando as candidaturas já contam com grupos expressivos de apoiadores, a rejeição ao adversário pode influenciar a escolha de quem ainda não consolidou sua decisão.

Professor alerta para possíveis riscos ao pacto constitucional de 1988

Entre os pontos destacados por Paulo Roberto Figueira Leal está o impacto que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter sobre as instituições democráticas brasileiras.

O cientista político afirma que a possibilidade de articulação de maiorias políticas no Congresso Nacional e de mudanças na composição do Supremo Tribunal Federal deve ser considerada no debate eleitoral. Na avaliação dele, essa conjuntura poderia abrir espaço para alterações com consequências duradouras para o sistema político e institucional do país.

“Talvez esse seja o tema central da campanha e um dos temas que, infelizmente, apareceu muito pouco no debate público”, afirma.

Leal relaciona essa preocupação às conquistas consolidadas após a redemocratização e à Constituição Federal de 1988, que estabeleceu as bases institucionais do atual período democrático.

“De fato, a sociedade brasileira quer abandonar o pacto da Constituição de 88? É isso que de fato pode acontecer num cenário de vitória de Flávio Bolsonaro”, questiona.

A declaração expressa a avaliação do professor sobre os possíveis efeitos de uma mudança na correlação de forças políticas. A eventual formação de maiorias no Legislativo e as mudanças institucionais mencionadas por ele são cenários políticos, e não acontecimentos já concretizados.

O alerta coloca no centro da análise a discussão sobre a preservação dos direitos, das garantias constitucionais e do funcionamento das instituições democráticas.

Comparecimento às urnas pode ser decisivo

Na avaliação de Leal, o número de eleitores que efetivamente comparecerem para votar pode ter influência importante no resultado do segundo turno. Isso porque os candidatos contam com bases eleitorais consolidadas, enquanto o contingente de indecisos, segundo sua análise das pesquisas mais recentes, seria relativamente pequeno.

O professor considera que eventuais diferenças no comparecimento entre regiões com maior apoio a Lula e localidades onde Flávio Bolsonaro obteve votação expressiva no primeiro turno podem influenciar o resultado nacional.

“A chave para entender maiores chances de vitória ou derrota pode estar no nível de comparecimento em regiões distintas do país, cujos votos foram dados para um lado ou para outro”, explica.

A hipótese chama a atenção para uma dimensão frequentemente menos explorada do debate eleitoral: não basta observar a preferência manifestada pelos eleitores nas pesquisas. Também é necessário considerar quantos deles efetivamente irão às urnas.

Leal ressalta que as campanhas devem continuar buscando os indecisos, mas avalia que a participação eleitoral pode assumir importância ainda maior em uma disputa apertada.

O comparecimento, entretanto, não atua isoladamente. Seu efeito depende da distribuição geográfica dos votos, do comportamento dos diferentes grupos de eleitores e da capacidade de cada candidatura de manter mobilizada sua base.

Sobre Redação

Editor-chefe

Leia Também no JF Diário

Polícia

Mulher é suspeita de atrair ex-companheiro para emboscada e danificar carro com faca em Juiz de Fora

Por Redação
16/09/2026
Cidade, Cultura & Sociedade, Diversidade

Parada LGBTQIA+ reúne milhares de pessoas em Juiz de Fora com foco em resistência e participação política

Por Redação
23/08/2026
Cidade

Obras de drenagem avançam no Mariano Procópio com ampliação do Córrego São Pedro

Por Redação
01/09/2026