Manifesto divulgado em Juiz de Fora relaciona a reconstrução da Zona da Mata após as chuvas de fevereiro aos investimentos federais e defende a continuidade de políticas públicas para educação, ciência e infraestrutura
Integrantes das comunidades acadêmicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG) divulgaram um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O documento, datado de 14 de outubro, destaca a importância do financiamento da educação pública, da ciência e da pesquisa e relaciona a continuidade dessas políticas à recuperação de Juiz de Fora e de outros municípios da Zona da Mata atingidos pelas fortes chuvas de fevereiro.
Intitulado Manifesto das Comunidades Acadêmicas da UFJF e do IF Sudeste MG pela reeleição do presidente Lula, o texto apresenta o posicionamento de servidores públicos, docentes, técnicos-administrativos e estudantes vinculados às duas instituições. Os signatários defendem a manutenção de investimentos federais, a valorização dos profissionais da educação e da ciência e o fortalecimento das políticas sociais.
O documento também cita a Carta Unitária das Entidades da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Técnica, Profissional e Superior, divulgada em 9 de outubro, que declarou apoio à reeleição de Lula. Entre as entidades mencionadas estão a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).
Reconstrução após as chuvas é um dos principais argumentos
Um dos pontos centrais do manifesto é a situação enfrentada pela Zona da Mata mineira após as chuvas de fevereiro de 2026. O texto relembra os danos provocados em Juiz de Fora e em cidades como Ubá, Matias Barbosa, Cataguases e Santos Dumont, com deslizamentos, alagamentos, destruição de moradias e mortes.
Os signatários descrevem a atuação de equipes municipais na assistência às famílias, na vistoria de áreas de risco e no levantamento dos prejuízos. Segundo o documento, esse trabalho permitiu reunir informações necessárias para solicitar recursos federais destinados à reconstrução de estruturas públicas e ao atendimento da população atingida.
O manifesto atribui ao Governo Federal a criação de mecanismos para viabilizar a compra assistida de moradias, além da análise de planos apresentados pelo município e da destinação de recursos para obras de recuperação. O texto também menciona medidas de apoio emergencial na área educacional e ações voltadas ao planejamento da recuperação de escolas.
A partir desse cenário, os autores defendem que a continuidade da cooperação entre os governos municipal e federal é importante para a reconstrução regional.
“Os municípios atingidos por um desastre dessa magnitude não podem ser negligenciados”, afirma o documento.
O grupo sustenta que a recuperação das cidades depende de recursos financeiros, estudos técnicos e políticas de longo prazo para habitação, infraestrutura, prevenção de desastres e educação.
Defesa da universidade pública e da ciência
Além das questões regionais, o manifesto apresenta uma agenda nacional para a educação e a ciência. Entre as reivindicações estão o financiamento público regular das universidades e dos institutos federais, a autonomia das instituições de ensino e pesquisa, a valorização dos trabalhadores e a garantia de acesso e permanência dos estudantes.
O texto também defende o fortalecimento das ações afirmativas, a liberdade acadêmica e o investimento em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação.
Para os signatários, a produção científica tem aplicação direta em áreas como saúde, agricultura, indústria, proteção ambiental e planejamento urbano. O documento argumenta que universidades e institutos federais contribuem tanto para a formação de profissionais quanto para a resposta a situações de emergência.
O grupo cita a participação de profissionais de diferentes áreas do conhecimento no enfrentamento dos impactos das chuvas, incluindo engenheiros, geólogos, assistentes sociais, psicólogos e trabalhadores da saúde.
A experiência da pandemia de Covid-19 também aparece no manifesto. Os autores afirmam que decisões governamentais que desconsideram recomendações científicas e reduzem políticas de prevenção podem agravar crises sanitárias.
Manifesto defende democracia e soberania popular
Na conclusão, os integrantes das comunidades acadêmicas reafirmam o apoio à reeleição de Lula e associam o posicionamento à defesa da educação pública, da ciência, da democracia e da presença do Estado em situações de calamidade.
O documento também declara compromisso com a Constituição, as instituições democráticas e o respeito ao voto popular e ao resultado das urnas.
A manifestação é assinada pela Plenária Conjunta de Apoiadores de Lula na Comunidade Acadêmica da UFJF e do IF Sudeste MG, com data de 14 de outubro de 2026.
O apoio expresso no texto corresponde ao posicionamento dos participantes da plenária e não significa, por si só, que as duas instituições tenham adotado oficialmente uma posição eleitoral institucional.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro, quando Lula disputa a Presidência da República com Flávio Bolsonaro (PL).
Deixe claro que o apoio é coletivoReduza repetições sobre o manifesto