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Eleições 2026, Nacional, Polícia, Política

E-mails apontam conta bancária conjunta entre Flávio Bolsonaro e advogado investigado por lavagem de dinheiro

Por Redação
Publicado em 14/10/2026
às 14:32
E-mails apontam conta bancária conjunta entre Flávio Bolsonaro e advogado investigado por lavagem de dinheiro. (Foto: Reprodução/ redes sociais.)

Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que conta em nome do senador estava vinculada a perfil de acesso associado a Willer Tomaz; os dois reconhecem amizade, mas negam relação financeira

A relação de amizade entre o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz entrou no centro de um novo questionamento político após a divulgação de e-mails obtidos pela Polícia Federal (PF). Segundo reportagem publicada pelo UOL em 10 de outubro de 2026, os documentos indicam que uma conta bancária identificada com o nome de Flávio estava vinculada a um perfil de acesso associado ao advogado, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro no contexto de um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A descoberta levou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) a apresentar uma notícia-crime à Polícia Federal e solicitar que o senador seja incluído formalmente na investigação. Até o momento, porém, a existência dessa ligação bancária não comprova que Flávio tenha cometido lavagem de dinheiro ou participado dos desvios investigados.

E-mails apontam ligação entre conta e perfil de acesso

De acordo com o UOL, a Polícia Federal encontrou, em documentos armazenados em uma conta do iCloud, mensagens trocadas entre o escritório de Willer Tomaz e o banco Santander.

Em um e-mail de 22 de maio de 2025, uma funcionária do escritório solicitou a retirada de uma conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do perfil de usuário master associado ao advogado. Na mesma data, o banco confirmou a exclusão da vinculação.

Em contas empresariais, o usuário master pode ter poderes amplos de acesso e movimentação, conforme as permissões estabelecidas. A documentação divulgada, entretanto, não esclarece por si só quem efetivamente movimentava os recursos, qual era a finalidade da vinculação ou se houve transferência de dinheiro entre os envolvidos.

A defesa de Flávio negou que o senador tenha mantido conta bancária cujo usuário master fosse Willer Tomaz ou alguma de suas empresas. Também rejeitou as acusações e classificou as informações como falsas.

Willer Tomaz, por sua vez, afirmou que a conta mencionada nunca lhe pertenceu, negou ter criado usuário em nome do senador e declarou que a relação entre os dois é exclusivamente de amizade, sem vínculo comercial ou financeiro.

Viagens, jatinho e imóvel cedido à campanha

A proximidade entre os dois não se limita a declarações públicas de amizade.

Reportagens do Estado de Minas e do Metrópoles registraram viagens internacionais realizadas por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em 2025, incluindo um safári na África do Sul. Em janeiro daquele ano, o senador também viajou com a família dos Estados Unidos para Brasília em um jatinho no qual o advogado possuía participação.

Flávio confirmou o voo e afirmou que acreditava que a aeronave pertencia a Willer. A estrutura de propriedade do avião também envolvia uma empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Já durante a campanha presidencial de 2026, Flávio utilizou um apartamento em São Paulo pertencente a uma empresa ligada ao advogado, segundo reportagens publicadas pela imprensa.

Esses episódios ajudam a dimensionar a proximidade entre os dois, mas não constituem, isoladamente, prova de crime. A questão levantada pelas novas informações é se a relação pessoal também envolveu operações financeiras que precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

O que a Polícia Federal investiga contra Willer Tomaz?

Willer Tomaz foi alvo de uma fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2026. A investigação apura suspeitas de fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de Minas, os investigadores apuram a possível utilização de empresas, contas bancárias e operações financeiras para ocultar a origem e o destino de recursos suspeitos. A PF atribui ao advogado um possível papel de articulação financeira no esquema.

Uma das linhas de investigação envolve suspeitas de que dinheiro obtido ilegalmente tenha sido movimentado por meio de estruturas empresariais e operações apresentadas formalmente como transações legítimas. A apuração também alcança pessoas ligadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), que nega irregularidades.

O advogado contesta as acusações e nega envolvimento nas fraudes contra aposentados. A existência de investigação policial não equivale a uma condenação criminal.

Apostas bilionárias também estão sob apuração

Outro eixo das investigações envolve movimentações realizadas por Willer Tomaz em plataformas de apostas on-line.

Reportagem do UOL publicada em 30 de setembro informou que a Polícia Federal apura se apostas teriam sido utilizadas para lavagem de dinheiro. Documentos apresentados em uma ação judicial movida pelo advogado contra a plataforma Blaze indicaram depósitos de aproximadamente R$ 325 milhões entre janeiro de 2025 e julho de 2026.

A defesa alegou que Tomaz teve prejuízos expressivos com as apostas e buscou ressarcimento judicial. Em manifestação posterior, contestou os números divulgados pela imprensa e negou a prática de lavagem de dinheiro.

O volume de transações, por si só, não comprova a origem criminosa dos recursos. A investigação busca esclarecer a procedência dos valores e verificar se houve ocultação ou dissimulação de patrimônio.

Também nesse caso, não há comprovação pública de que Flávio Bolsonaro tenha participado das movimentações atribuídas ao advogado.

Pedido de investigação sobre Flávio Bolsonaro

Após a divulgação dos e-mails, o deputado Lindbergh Farias solicitou à Polícia Federal que Flávio Bolsonaro seja incluído formalmente na Operação Sem Desconto. Entre as medidas pedidas estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador e de seu escritório de advocacia, além de diligências para esclarecer a relação entre a conta mencionada nos documentos e o perfil de acesso associado a Tomaz.

O pedido de um parlamentar não significa que as medidas tenham sido autorizadas pela Justiça ou que o senador tenha sido considerado culpado. Cabe às autoridades avaliar os elementos apresentados, decidir sobre eventuais diligências e verificar se há indícios suficientes de participação em algum delito.

Até a publicação das reportagens consultadas, Flávio negava a existência de relação financeira com o advogado, enquanto Tomaz sustentava que os dois mantêm apenas amizade.

O que se sabe e o que ainda precisa ser esclarecido

Os documentos divulgados levantam perguntas relevantes sobre a relação entre um candidato à Presidência e um advogado investigado por suspeitas de movimentações financeiras ilícitas. A vinculação bancária descrita nos e-mails, as viagens compartilhadas e o uso de bens associados a Tomaz justificam o interesse público em esclarecer a natureza dessa proximidade.

Por outro lado, é necessário separar os fatos documentados das conclusões que ainda dependem de investigação. Até aqui, as informações publicadas não demonstram que Flávio Bolsonaro tenha lavado dinheiro, recebido recursos desviados do INSS ou participado do esquema investigado pela Polícia Federal.

O ponto central é esclarecer por que uma conta identificada com o nome do senador apareceu vinculada ao perfil bancário associado ao advogado, quem autorizou a operação, quais eram as permissões concedidas e se houve movimentações financeiras relacionadas a recursos de origem ilícita.

As respostas poderão determinar se o episódio se limita a uma relação pessoal controversa ou se existem elementos concretos que justifiquem responsabilização criminal.

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