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Eleições 2026, Política

Entidades e movimentos se organizam em JF para apoiar Lula no segundo turno

Por Redação
Publicado em 07/10/2026
às 07:25
Militantes em ato em JF. Foto: Marina Cabral.

Movimento estudantil prepara assembleia na UFJF; Comitê Lula e Patrus e militância petista também mantêm mobilização na cidade

A campanha para o segundo turno da eleição presidencial começa a ganhar novas formas de mobilização em Juiz de Fora. Após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminar o primeiro turno como o candidato mais votado na cidade, organizações partidárias, grupos políticos e entidades do movimento estudantil passaram a articular novas atividades em defesa da candidatura à reeleição.

No primeiro turno, realizado no domingo (4), Lula recebeu 151.552 votos em Juiz de Fora, o equivalente a 49,58% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 126.964 votos (41,53%). A diferença entre os dois candidatos foi de 24.588 votos.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

DCE da UFJF convoca assembleia para discutir segundo turno

Uma das mobilizações que ganhou destaque nesta semana parte do movimento estudantil da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFJF) convocou a comunidade universitária para uma Assembleia Geral dos Estudantes nesta quinta-feira (8), às 18h, na Ágora, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

De acordo com a convocação divulgada pelo DCE, a pauta única da assembleia será o segundo turno das eleições.

O texto afirma que a universidade pública deve ser também um espaço de defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais. A entidade relembra a participação histórica do movimento estudantil em mobilizações relacionadas à democracia e à educação pública e convoca os estudantes para “fazer política, organizar a resistência e construir, coletivamente” a defesa de um Brasil soberano e democrático.

A convocação termina com um chamado para que a comunidade universitária ocupe os espaços da universidade, debata e se organize.

A atividade ocorre dentro de uma mobilização nacional do movimento estudantil. A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) vêm convocando assembleias e atos em universidades para organizar ações no segundo turno em apoio à reeleição de Lula. Um calendário divulgado pelas entidades reúne mais de 40 atividades em universidades de diferentes estados. A UFJF aparece na programação para esta quinta-feira (8), às 18h.

É importante destacar que a mobilização é organizada por entidades estudantis e não representa, por si só, uma posição institucional da UFJF. A universidade, enquanto instituição pública, não se confunde com as entidades de representação estudantil.

UNE e ANPG articulam mobilização nacional

A movimentação na UFJF faz parte de uma articulação mais ampla do movimento estudantil brasileiro.

A UNE afirma que a juventude deve ocupar as universidades para organizar a campanha de segundo turno. A entidade também relaciona a mobilização à defesa da educação pública, da ciência, da democracia e de direitos sociais.

Em Minas Gerais, além da UFJF, estão previstas mobilizações em outras universidades. A UFMG, em Belo Horizonte, também terá atividade organizada por entidades estudantis, enquanto a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) tem mobilização anunciada.

Na prática, portanto, o movimento estudantil aparece como uma das estruturas organizadas que passaram a atuar diretamente na disputa do segundo turno em Juiz de Fora.

Comitê Lula e Patrus mantém articulação política

Outra estrutura que já vinha funcionando em Juiz de Fora durante o primeiro turno é o Comitê Lula e Patrus.

O grupo organizou, em setembro, um ato no Parque Halfeld em defesa da democracia e da candidatura de Lula. A manifestação reuniu militantes, apoiadores e representantes de diferentes grupos políticos e teve também como pauta a candidatura de Patrus Ananias ao Governo de Minas.

O comitê também esteve envolvido na mobilização para a passagem de Lula por Juiz de Fora no fim de setembro. Na ocasião, militantes, dirigentes partidários e apoiadores se concentraram na região do Viaduto Roza Cabinda para acompanhar a agenda do presidente.

Apesar da forte chuva, que impediu a chegada de Lula ao local, apoiadores permaneceram concentrados e deram continuidade à mobilização.

PT de Juiz de Fora também participa da mobilização

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Juiz de Fora é outra estrutura diretamente envolvida na organização da campanha de Lula na cidade.

Durante o primeiro turno, o diretório municipal participou da divulgação e organização de atos e mobilizações. O partido também divulgou o ato realizado no Parque Halfeld em setembro, apresentado como uma manifestação em defesa da democracia e de apoio à candidatura de Lula.

A estrutura partidária ganhou ainda maior visibilidade na reta final do primeiro turno, quando dirigentes, militantes e apoiadores participaram da organização da agenda de Lula em Juiz de Fora. A cidade recebeu uma concentração de apoiadores no Centro, com participação de lideranças políticas do campo que apoiava o presidente.

Mobilização não se limita ao PT

Embora o PT e o Comitê Lula e Patrus sejam as estruturas políticas mais diretamente identificadas com a campanha na cidade, a movimentação do segundo turno apresenta diferentes organizações e grupos.

No caso do movimento estudantil, a articulação é mais ampla e envolve entidades nacionais como UNE e ANPG, além das estruturas locais de representação dos estudantes.

O ato da UFJF também ocorre em um contexto no qual universidades de várias regiões do país estão realizando assembleias, plenárias e manifestações relacionadas ao segundo turno. Segundo levantamento divulgado nesta semana, são mais de 40 atividades programadas até 13 de outubro.

Sindicatos e outras entidades: cautela na identificação

O levantamento realizado pelo JF Diário também encontrou registros de participação de organizações sindicais e movimentos sociais em atividades políticas ligadas a Lula ao longo de 2026. No entanto, até o momento, não foi localizada documentação pública suficientemente clara para afirmar que determinada entidade sindical de Juiz de Fora tenha formalizado, especificamente após o primeiro turno, uma campanha institucional pela reeleição de Lula no segundo turno.

Por isso, para evitar atribuir apoio eleitoral a uma organização sem uma declaração ou convocação específica, não é possível incluir sindicatos individualmente como apoiadores formais neste levantamento.

Há, contudo, histórico recente de articulação entre sindicatos locais e o governo federal. Em fevereiro, representantes de diferentes sindicatos de Juiz de Fora se reuniram para elaborar uma carta de reivindicações relacionada às chuvas e entregaram o documento ao presidente Lula durante sua visita à cidade.

Esse episódio demonstra articulação entre entidades sindicais e o governo, mas não deve ser confundido com uma declaração de apoio eleitoral no segundo turno.

O cenário deixado pelo primeiro turno

A mobilização ganha importância local porque Juiz de Fora apresentou um resultado diferente do registrado em Minas Gerais.

Lula terminou o primeiro turno à frente na cidade, com 49,58% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro teve 41,53%. No estado, porém, Flávio ficou na liderança.

O resultado também mostra uma mudança em relação a 2022. Naquele ano, Lula havia obtido 52,6% dos votos válidos no primeiro turno em Juiz de Fora. No segundo turno, chegou a 56,09%. Em 2026, apesar de continuar na liderança municipal, sua votação percentual no primeiro turno foi menor.

É nesse contexto que organizações políticas e movimentos sociais começam a reorganizar suas atividades para as próximas semanas.

Quem já aparece na mobilização

Com apoio ou atuação diretamente relacionada à campanha de Lula:

  • PT de Juiz de Fora — participa da organização e divulgação de atos políticos;
  • Comitê Lula e Patrus — organizou manifestações e mobilizações na cidade;
  • DCE-UFJF — convocou assembleia estudantil para discutir o segundo turno;
  • Movimento estudantil da UFJF — participa da mobilização nacional organizada por entidades estudantis;
  • UNE (União Nacional dos Estudantes) — articula nacionalmente atos e assembleias de estudantes em apoio à reeleição;
  • ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) — participa da articulação nacional com o movimento estudantil.

A relação acima diferencia entidades que efetivamente aparecem nas convocações e mobilizações de instituições que apenas tiveram integrantes ou representantes individuais apoiando Lula. No caso da UFJF, por exemplo, a mobilização é estudantil e não deve ser apresentada como uma posição oficial da universidade.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a tendência é de que novas manifestações, assembleias, plenárias e atos sejam anunciados nas próximas semanas. Em Juiz de Fora, a primeira mobilização de maior visibilidade nesta nova etapa está marcada para quinta-feira (8), com a assembleia convocada pelo DCE-UFJF.

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