O número estimado de novos casos de câncer de mama no Brasil vem aumentando nos últimos anos. Para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença por ano no país. O número é superior aos 73.610 casos anuais estimados para o período de 2023 a 2025 e aos 66.280 previstos para 2022.
O câncer de mama é atualmente o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. A estimativa mais recente corresponde a um risco de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. A Região Sudeste apresenta a maior taxa estimada do país, com 88,29 casos por 100 mil mulheres.
Além da incidência, a doença representa um importante problema de saúde pública. Segundo o INCA, 20.165 mulheres morreram em 2023 em decorrência do câncer de mama, o equivalente a uma taxa de 18,59 mortes para cada 100 mil mulheres. Dados mais recentes do instituto também apontam que o câncer de mama permanece como a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil.
Por que os casos estão aumentando?
O crescimento dos números não significa necessariamente que todas as novas ocorrências sejam resultado de uma única causa. O câncer de mama é uma doença multifatorial e está relacionado a aspectos como envelhecimento da população, mudanças no estilo de vida, fatores reprodutivos, obesidade, consumo de álcool e sedentarismo.
O próprio INCA aponta que excesso de gordura corporal, inatividade física e consumo de bebidas alcoólicas estão entre os fatores de risco modificáveis para a doença. Fatores genéticos, como alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, também podem aumentar o risco, mas representam uma parcela minoritária dos casos.
O aumento da identificação da doença também está relacionado à ampliação do acesso ao diagnóstico e aos exames de rastreamento. Por isso, a elevação dos registros não deve ser interpretada isoladamente como uma piora da doença na população.
Segundo a médica Rita de Cássia Mattos, o aumento dos diagnósticos mostra a importância de mantermos a atenção voltada para a saúde das mamas durante todo o ano. “O câncer de mama, quando identificado precocemente, apresenta maiores possibilidades de tratamento e melhores resultados. Por isso, é fundamental conhecer os fatores de risco, observar possíveis alterações e manter o acompanhamento médico indicado para cada pessoa.”
Como prevenir?
Não existe uma forma de eliminar completamente o risco de desenvolvimento do câncer de mama, mas algumas medidas podem diminuir as chances de ocorrência da doença.
Entre as principais recomendações estão:
- praticar atividade física regularmente;
- manter o peso corporal adequado;
- evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
- não fumar;
- manter uma alimentação equilibrada;
- amamentar, quando possível;
- conhecer o próprio corpo e ficar atenta a alterações nas mamas;
- realizar acompanhamento médico e os exames indicados para cada faixa etária e nível de risco.
A prevenção também passa pela identificação dos fatores de risco individuais. Mulheres com histórico familiar importante ou alterações genéticas associadas à doença devem conversar com profissionais de saúde para avaliar a necessidade de acompanhamento diferenciado.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento
A identificação do câncer em estágios iniciais é um dos principais fatores associados a melhores resultados no tratamento. A mamografia consegue identificar alterações suspeitas antes mesmo que elas possam ser percebidas por meio de sintomas ou palpação.
Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Para pessoas fora dessa faixa etária e sem sintomas, a realização do exame deve ser avaliada individualmente com um profissional de saúde, considerando riscos e benefícios.
É importante também procurar atendimento diante de alterações como nódulo endurecido ou que aumenta de tamanho, retração da pele ou do mamilo, secreção sanguinolenta em um dos mamilos, mudanças no formato da mama ou alterações persistentes na pele.
Outubro Rosa reforça importância da informação
Mais do que estimular a realização de exames durante um determinado mês, o Outubro Rosa tem papel importante na disseminação de informações sobre prevenção, fatores de risco e diagnóstico precoce.
O acesso à informação pode ajudar mulheres a reconhecer sinais de alerta e procurar atendimento com maior rapidez. Também é fundamental ampliar o acesso aos exames e ao tratamento, já que existem diferenças regionais e socioeconômicas no acesso aos serviços de saúde.
Em 2024, o Sistema Único de Saúde realizou 4,4 milhões de mamografias, sendo cerca de 4 milhões exames de rastreamento em mulheres sem sintomas. O INCA, entretanto, aponta que ainda é necessário ampliar a cobertura para alcançar adequadamente a população-alvo.