Morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos, a jornalista, escritora e ativista Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles. Mineira de Contagem, ela se tornou uma das principais referências na defesa dos direitos humanos, da democracia e do movimento feminista no Brasil.
Amelinha iniciou a atuação política ainda jovem e, durante a ditadura militar, participou da resistência clandestina ao regime pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Sua militância acabou levando à prisão e à tortura.
Em 28 de dezembro de 1972, ela foi detida em São Paulo e encaminhada para estruturas de repressão política, entre elas a Operação Bandeirantes (Oban) e o DOI-Codi. Durante o período em que esteve sob custódia, sofreu torturas físicas e violência sexual.
Os filhos de Amelinha, Edson e Janaína, que tinham quatro e cinco anos na época, também foram levados ao centro de repressão. Segundo relatos posteriormente apresentados pela família e por entidades de direitos humanos, as crianças foram colocadas diante dos pais durante as sessões de tortura.
Depois de deixar a prisão, Amelinha transformou a própria experiência em atuação política e social. Ao longo das décadas seguintes, participou da organização do movimento feminista e de iniciativas voltadas à preservação da memória das vítimas da ditadura.
Também se dedicou à defesa dos direitos humanos e à busca por informações sobre mortos e desaparecidos políticos durante o regime militar. Sua trajetória passou a integrar a história dos movimentos pela democracia e pela responsabilização das violações cometidas durante o período autoritário.
A morte de Amelinha Teles encerra uma trajetória marcada pela militância política, pela defesa dos direitos das mulheres e pela luta para manter viva a memória das vítimas da ditadura brasileira.