Levantamento encomendado para embasar nova fase do Parque da Saudade aponta mudanças no perfil da população e na forma como as famílias lidam com o luto
O envelhecimento da população de Juiz de Fora deve provocar um aumento na demanda por jazigos, sepultamentos e serviços funerários nos próximos anos. A projeção faz parte de um estudo de atratividade mercadológica encomendado à consultoria Brain para analisar o setor funerário na cidade e embasar a nova fase do Parque da Saudade, maior cemitério da Zona da Mata.
O levantamento, realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, analisou dados sociodemográficos, indicadores de mortalidade e o mercado funerário de Juiz de Fora. Entre os objetivos do estudo estão a avaliação da atratividade do Parque da Saudade, a identificação das características econômicas e populacionais do município e o mapeamento da concorrência no setor.
De acordo com os dados apresentados pela consultoria, Juiz de Fora vem passando por um processo de envelhecimento populacional. A população com mais de 80 anos, por exemplo, passou de 10.885 pessoas em 2010 para 16.944 em 2024, enquanto o número de pessoas com mais de 60 anos também apresentou crescimento no período.
A tendência tem impacto direto nas projeções de mortalidade da cidade. O estudo estima que o número anual de óbitos em Juiz de Fora poderá chegar a 5.276 em 2035. Para realizar as projeções, a consultoria considerou, entre outros fatores, uma taxa de envelhecimento populacional de 1,8% ao ano e uma redução de 0,2% ao ano no crescimento da população.
Além do aumento da demanda por espaços e serviços funerários, o levantamento também identificou mudanças no comportamento das famílias em relação às despedidas e ao processo de luto.
Segundo o estudo, consumidores têm buscado cerimônias mais personalizadas e com maior significado. Entre as tendências apontadas estão homenagens com músicas, vídeos, fotografias e outros elementos que ajudem a celebrar a trajetória da pessoa falecida. A preservação da memória também tem ganhado espaço por meio de homenagens e memorializações digitais.
Outro aspecto destacado é a valorização do acolhimento durante o período de luto. O levantamento aponta que, mesmo com o crescimento da tecnologia e da digitalização dos serviços funerários, as famílias continuam buscando atendimento humano, personalizado e profissionais preparados para oferecer suporte emocional em um momento considerado delicado.
O estudo também aponta uma tendência de antecipação do planejamento funerário. De acordo com a análise, famílias têm demonstrado interesse em contratar e organizar serviços com antecedência, tanto para reduzir o impacto financeiro quanto para diminuir as decisões necessárias em um momento de perda.
Os dados foram levantados para orientar a reestruturação do Parque da Saudade, localizado no bairro Santa Terezinha, em Juiz de Fora. A pesquisa avaliou ainda os serviços e preços praticados no mercado local, além de tendências nacionais do setor funerário.
Entre as principais transformações observadas no setor estão a personalização das cerimônias, a digitalização de serviços, a busca por alternativas sustentáveis e a valorização de espaços voltados à preservação da memória e ao acolhimento das famílias.
A nova fase do Parque da Saudade deve ser estruturada a partir dessas mudanças no perfil da população e nas demandas das famílias, em um cenário no qual o envelhecimento dos moradores tende a aumentar a procura por serviços relacionados ao setor funerário nos próximos anos.